Paralisação do DHS levanta preocupações com cibersegurança em meio a ataques ligados ao Irã
Sem financiamento, agência responsável por proteger infraestrutura digital dos EUA reduz operações enquanto ameaças aumentam
A paralisação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), que já dura 45 dias, está gerando crescente preocupação com a segurança cibernética do país. Isso porque a principal agência responsável por proteger redes e infraestrutura crítica, a CISA (Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura), teve cerca de 60% de sua força de trabalho colocada em licença não remunerada.
Com a redução de pessoal, a CISA foi obrigada a suspender avaliações físicas e digitais que identificam vulnerabilidades em sistemas essenciais, como redes de energia, água e comunicações. A medida ocorre em um momento delicado, marcado pelo aumento das tensões com o Irã e pela intensificação de ataques cibernéticos associados ao país.
Especialistas alertam que a diminuição de recursos em cibersegurança neste cenário é particularmente perigosa. Segundo o professor Frederic Lemieux, da Universidade Georgetown, os Estados Unidos enfrentam um adversário conhecido por utilizar ferramentas digitais para causar danos. “Estamos em um ponto crítico, em que esses sistemas podem ser testados”, afirmou.
A guerra cibernética envolve invasões de redes para fins como espionagem, interrupção de serviços e destruição de dados. Em 2025, a CISA conseguiu bloquear bilhões de tentativas de ataques, incluindo centenas de milhões direcionadas a infraestruturas críticas. No entanto, com operações reduzidas, cresce o temor de que a capacidade de defesa esteja comprometida.
Relatórios recentes apontam o Irã como um dos principais responsáveis por atividades cibernéticas maliciosas contra os EUA, ao lado de países como Rússia e China. Nos últimos meses, hackers ligados a Teerã foram associados a invasões de sistemas governamentais, empresas privadas e até redes de abastecimento de água.
Além disso, o avanço da tecnologia — especialmente da inteligência artificial — tem facilitado a execução de ataques mais sofisticados e em larga escala, aumentando ainda mais os desafios para a defesa digital.
Apesar de o governo ter garantido o pagamento de funcionários da TSA (segurança de transportes), outras áreas do DHS, como a CISA, continuam sem orçamento definido. O impasse político no Congresso impede uma solução rápida, enquanto especialistas alertam que ameaças cibernéticas não entram em pausa durante crises institucionais.
Para ex-dirigentes da própria agência, mesmo interrupções temporárias podem ter consequências duradouras para empresas, redes federais e contribuintes. “Os adversários trabalham 24 horas por dia”, destacou um ex-diretor interino da CISA.
Fonte: ABC