Trump demite Pam Bondi do comando da Justiça e nomeia Todd Blanche como procurador-geral interino

Decisão ocorre após insatisfação com andamento de investigações; Casa Branca já avalia nome definitivo para o cargo

Por Lara Barth

Procuradora-geral dos EUA Pamela Bondi

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a demissão de Pam Bondi do cargo de procuradora-geral e nomeou o atual vice, Todd Blanche, como chefe interino do Departamento de Justiça. A decisão foi confirmada pelo próprio presidente em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (2).

Segundo fontes ouvidas pela imprensa americana, a saída de Bondi ocorre em meio à insatisfação de Trump com o ritmo e os resultados das investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça, especialmente aquelas voltadas a adversários políticos.

Na publicação, Trump elogiou a ex-procuradora-geral, classificando-a como “patriota” e “amiga leal”, e afirmou que ela seguirá para uma nova função no setor privado. Já Blanche agradeceu a confiança e disse que dará continuidade às prioridades do governo, como segurança pública e aplicação da lei.

Nos bastidores, o governo já discute um nome definitivo para o cargo. Entre os cotados está Lee Zeldin, atual chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA) e ex-congressista, apesar de ter experiência limitada na área jurídica — fator que pode gerar resistência dentro do próprio Departamento de Justiça.

A gestão de Bondi foi marcada por mudanças profundas na estrutura e nas prioridades da instituição. Durante seu mandato, milhares de funcionários deixaram o órgão, em meio a demissões, aposentadorias antecipadas e saídas voluntárias. Houve também redução de investigações sobre crimes de colarinho branco e maior foco em imigração e combate ao tráfico de drogas.

Outro ponto controverso foi o aumento da influência política sobre o Departamento de Justiça, com críticas sobre o enfraquecimento de mecanismos tradicionais que garantiam a independência da instituição em relação à Casa Branca.

Diversas investigações contra figuras públicas e opositores políticos não avançaram ou foram barradas na Justiça, o que aumentou a pressão interna. Ao mesmo tempo, decisões e diretrizes adotadas pela gestão geraram críticas de especialistas e ex-integrantes do órgão, que apontaram riscos à integridade institucional.

Pam Bondi também esteve envolvida em polêmicas relacionadas à divulgação de documentos do caso Jeffrey Epstein e foi convocada a depor no Congresso ainda neste mês.

A troca no comando do Departamento de Justiça ocorre em um momento sensível, com disputas políticas intensas e desafios jurídicos relevantes para o governo.

Fonte: CBS