EUA registram o março mais quente da história, com calor sem precedentes

Dados federais mostram que o mês superou recordes históricos de temperatura; especialistas alertam para impacto das mudanças climáticas e possível "super El Niño"

Por Lara Barth

Um aviso de calor é emitido pelo Serviço Meteorológico Nacional quando um índice de calor de 105°F ou mais é esperado por pelo menos duas horas em Miami-Dade

O mês de março de 2026 foi o mais quente já registrado nos Estados Unidos continentais — e não apenas isso: foi o mês mais anormalmente quente de toda a série histórica de 132 anos, segundo dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

A temperatura média no período foi de 10,5°C (50,85°F), ficando impressionantes 5,2°C acima da média do século 20 para março. Esse desvio superou o recorde anterior de 2012 e se tornou o maior já registrado para qualquer mês no país.

O calor extremo foi ainda mais evidente nas temperaturas máximas, que ficaram 11,4°C acima da média histórica — quase um grau mais quente do que a média típica de abril. Para especialistas, o cenário é alarmante.

“Foi algo sem precedentes”, afirmou o meteorologista Shel Winkley, da organização Climate Central. Ele destaca que o volume de recordes quebrados é um dos principais motivos de preocupação.

Ao todo, mais de 19.800 recordes diários de temperatura foram superados em março, além de mais de 2.000 recordes mensais — números raramente vistos, até mesmo ao longo de décadas.

O período entre abril de 2025 e março de 2026 também se tornou o mais quente já registrado nos Estados Unidos. Além do calor, o país enfrentou o início de ano mais seco da história, agravando riscos para agricultura, recursos hídricos e navegação.

Cientistas apontam que as mudanças climáticas causadas pela atividade humana têm papel central nesse cenário. “Isso mostra que o aquecimento global está nos afetando de forma intensa”, afirmou o meteorologista Jeff Masters.

As projeções indicam que o calor pode aumentar ainda mais nos próximos meses. Modelos climáticos apontam para a formação de um “super El Niño” ainda em 2026, com temperaturas no Pacífico acima de 2°C da média — um nível associado a eventos climáticos extremos.

Esse fenômeno tende a elevar ainda mais as temperaturas globais, podendo levar o planeta a novos recordes de calor entre o fim de 2026 e 2027.

Além disso, eventos anteriores de El Niño já provocaram mudanças duradouras no clima, como o aumento persistente da temperatura no Golfo do México após o episódio de 2015-2016.

Fonte: CBS