Senado dos EUA aprova resolução orçamentária após maratona de votações e avança plano republicano para financiar imigração
Medida foi aprovada sem apoio democrata e abre caminho para destinar bilhões a agências de segurança de fronteira
O Senado dos Estados Unidos aprovou, na madrugada desta quinta-feira, uma resolução orçamentária após uma longa sequência de votações conhecida como “vote-a-rama”. A medida representa um passo importante para os republicanos, que buscam financiar agências de imigração sem o apoio do Partido Democrata.
A resolução foi aprovada por 50 votos a 48, após cerca de seis horas de deliberação. Apenas dois republicanos — Rand Paul, do Kentucky, e Lisa Murkowski, do Alasca — votaram contra o texto. Agora, a proposta segue para a Câmara dos Representantes, antes da elaboração final do projeto de financiamento, que ainda precisará ser votado pelas duas casas do Congresso.
O ex-presidente Donald Trump estabeleceu o prazo de 1º de junho para a aprovação final. O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou que, apesar das etapas ainda pendentes, os republicanos pretendem garantir recursos para reforçar a segurança das fronteiras e impedir cortes nas agências.
A estratégia republicana utiliza o mecanismo de reconciliação orçamentária, que permite a aprovação com maioria simples, contornando a necessidade de apoio democrata. O plano prevê financiar o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e partes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) por mais de três anos.
A resolução autoriza os comitês do Judiciário e de Segurança Interna do Senado a elaborarem propostas que podem ampliar os gastos em até US$ 70 bilhões cada. Ainda assim, o custo final estimado gira em torno de US$ 70 bilhões no total, segundo republicanos, que afirmam buscar flexibilidade orçamentária.
Antes da votação final, o Senado realizou o chamado “vote-a-rama”, período em que senadores podem apresentar um número ilimitado de emendas. Democratas aproveitaram o momento para propor mudanças, muitas delas focadas no custo de vida, e forçar os republicanos a se posicionarem.
O líder da minoria democrata, Chuck Schumer, criticou duramente o plano, afirmando que os republicanos pretendem destinar bilhões a uma “força” ligada a Trump sem implementar reformas necessárias. Ele defendeu que os recursos deveriam priorizar a redução do custo de vida da população.
Apesar das críticas, os democratas não têm meios de barrar a proposta devido à maioria republicana no Senado. O impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) se intensificou após episódios de violência envolvendo agentes federais em Minneapolis, no início do ano. Desde então, democratas condicionam novos recursos a mudanças nas políticas de imigração.
O DHS enfrenta paralisação parcial desde fevereiro, após divergências entre os partidos. Embora parte do financiamento tenha sido aprovada anteriormente, recursos para o ICE e setores da CBP ficaram de fora. Enquanto isso, o governo mantém pagamentos temporários a funcionários.
A Câmara ainda não analisou integralmente as propostas do Senado, e republicanos aguardam garantias de financiamento completo para as agências de imigração. Líderes alertam que os recursos podem se esgotar já no próximo mês.
Durante o processo, o senador republicano John Kennedy tentou incluir mudanças no projeto, mas acabou recuando para permitir o avanço da votação. Ele alertou que esta pode ser a última oportunidade de aprovar medidas por reconciliação e defendeu a inclusão de propostas voltadas ao custo de vida.
Fonte: CBS