Governo dos EUA reclassifica maconha medicinal para categoria menos restritiva

Medida assinada pelo procurador-geral interino reduz nível de risco da substância, mas não legaliza uso recreativo

Por Lara Barth

Em 2022, cerca de 17,7 milhões de pessoas usaram maconha diariamente ou quase diariamente, em comparação com 14,7 milhões de consumidores diários ou quase diários de álcool.

O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, assinou nesta quinta-feira uma ordem que reclassifica a maconha medicinal licenciada pelos estados como uma substância menos perigosa. A mudança transfere a droga da categoria Schedule I para Schedule III na lista federal de substâncias controladas.

Na prática, isso coloca a maconha medicinal no mesmo grupo de medicamentos com potencial moderado ou baixo de dependência, como certos analgésicos, cetamina e testosterona. Até então, a substância estava na categoria mais restritiva, reservada a drogas consideradas sem uso médico aceito e com alto potencial de abuso.

Apesar da mudança, a maconha continua ilegal em nível federal. A reclassificação não autoriza o uso recreativo em todo o país nem permite a venda irrestrita como ocorre com álcool e tabaco. No entanto, a medida aproxima a legislação federal das leis estaduais e pode facilitar pesquisas científicas, além de reduzir barreiras fiscais e regulatórias para o setor.

Em comunicado, Blanche afirmou que a decisão permitirá estudos mais rigorosos sobre a segurança e eficácia da maconha, ampliando o acesso de pacientes a tratamentos e oferecendo mais informações para profissionais de saúde.

O governo Donald Trump já havia sinalizado, no ano passado, a intenção de revisar a classificação da substância, embora sem defender sua legalização ampla. O Departamento de Justiça e a Agência de Repressão às Drogas (DEA) agora devem iniciar um processo que pode estender a reclassificação para toda a maconha. Uma audiência pública está prevista para o final de junho.

O debate sobre a reclassificação vem desde a gestão do ex-presidente Joe Biden, que em 2022 solicitou uma revisão do enquadramento da droga. Em 2023, o Departamento de Saúde recomendou a mudança, dando início ao processo regulatório.

Atualmente, a maconha é a droga ilegal mais utilizada nos Estados Unidos. Dados do CDC indicam que cerca de 52,5 milhões de americanos relataram uso em 2021. Além disso, 24 estados e o Distrito de Columbia já legalizaram o uso recreativo para adultos.

Especialistas alertam, porém, que o consumo não é isento de riscos. O uso da substância está associado a problemas de saúde mental, prejuízos cognitivos, direção sob efeito de drogas e possíveis impactos no desenvolvimento cerebral de jovens, além de riscos durante a gestação.

Fonte: ABC