Trump promove série de demissões no alto comando militar em meio à guerra e gera controvérsia

Mudanças amplas na liderança da Defesa dos EUA são raras, especialmente durante conflitos armados

Por Lara Barth

Donald Trump em pronunciamento sobre o conflito

O governo do presidente Donald Trump intensificou uma ampla reformulação no alto escalão militar dos Estados Unidos, com a demissão de diversos oficiais e autoridades de defesa desde o início de seu segundo mandato. A mais recente foi a do secretário da Marinha, John Phelan, em meio à guerra contra o Irã.

Esse tipo de reestruturação é considerado incomum na história americana, sobretudo durante períodos de conflito, quando a estabilidade no comando militar costuma ser priorizada devido às exigências operacionais.

John Phelan, que não tinha experiência militar prévia e era doador de campanha de Trump, foi exonerado após meses de tensões com o secretário da Defesa, Pete Hegseth. Segundo autoridades, ele teria desagradado a cúpula do Pentágono ao contornar superiores e apresentar propostas diretamente ao presidente.

Entre as demissões mais relevantes está a do general Charles Q. Brown, então chefe do Estado-Maior Conjunto e principal conselheiro militar do presidente. Indicado pelo governo anterior, Brown foi afastado em fevereiro de 2025, junto com outros cinco altos oficiais. Ele era o segundo afro-americano a ocupar o cargo.

Outro nome importante é o do general Timothy Haugh, diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), demitido em abril sem justificativa oficial, em meio a uma série de dispensas que atingiram também membros do Conselho de Segurança Nacional.

No Exército, o general Randy George foi demitido em abril durante o reforço de tropas no Oriente Médio. Outros oficiais, como o general David Hodne e o major-general William Green, também foram afastados na mesma ocasião.

A lista inclui ainda o tenente-general Jeffrey Kruse, responsável pela agência de inteligência do Pentágono, e a almirante Linda Fagan, comandante da Guarda Costeira — a primeira mulher a liderar um ramo das Forças Armadas dos EUA. No caso de Fagan, uma das justificativas citadas foi o foco em políticas de diversidade, equidade e inclusão.

As mudanças têm gerado debates sobre seus impactos na condução das operações militares e na estrutura de comando em um momento de tensão internacional. Especialistas destacam que substituições em larga escala durante guerras são raras e podem afetar a continuidade estratégica das ações militares.

Fonte: G1