Cursos universitários que mais geram arrependimento entre recém-formados, aponta pesquisa
Áreas de humanas lideram insatisfação, enquanto enfermagem se destaca por empregabilidade e salários mais altos
O diploma universitário ainda é visto como um diferencial importante no mercado de trabalho, especialmente em um cenário recente desafiador para profissionais em início de carreira. No entanto, muitos recém-formados afirmam que gostariam de ter escolhido outro curso.
Cerca de um em cada cinco graduados recentes se arrepende da área de formação, segundo levantamento do site de empregos ZipRecruiter, que ouviu 1.500 integrantes da turma de 2025 e outros 1.500 estudantes prestes a se formar. Os cursos de humanas lideram o índice de insatisfação, com muitos entrevistados dizendo que prefeririam ter seguido áreas mais científicas ou quantitativas.
Entre os cursos com maior taxa de arrependimento estão ciência política, relações internacionais e políticas públicas, com 46,3% dos formados insatisfeitos. Em seguida aparecem comunicação, estudos de mídia e relações públicas, com 39,2% de arrependimento.
Ainda assim, a frustração não se limita às áreas de humanas. Cerca de um terço dos formados em ciências exatas, como física, química e geociências, também demonstram dúvidas sobre a escolha. Especialistas apontam que esse sentimento pode ser mais intenso entre jovens devido à dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Dados do Federal Reserve indicam que trabalhadores de meia-idade tendem a avaliar de forma mais positiva o valor de seus diplomas do que os mais jovens.
A busca por emprego tem sido um dos principais desafios. Vagas de entrada representavam 38,6% das oportunidades no ZipRecruiter até 1º de março, queda em relação aos 43,4% registrados dois anos antes. Ao mesmo tempo, a concorrência por essas posições aumentou.
Além da dificuldade para conseguir uma vaga, muitos recém-formados também se deparam com salários abaixo do esperado. Graduados em saúde pública ou administração em saúde relataram ganhos iniciais 43,8% menores do que imaginavam. Já nas áreas de agricultura, meio ambiente, recursos naturais, além de inglês, literatura e jornalismo, a diferença foi de cerca de 30% abaixo das expectativas.
Por outro lado, o estudo aponta que cursos de enfermagem oferecem melhores perspectivas. Quase um terço dos formados na área conseguiu emprego antes mesmo da graduação. A demanda por profissionais de saúde segue elevada, impulsionada pelo envelhecimento da população nos Estados Unidos, e o setor continua liderando a criação de empregos.
Além disso, os graduados em enfermagem registraram o maior salário inicial médio entre os cursos analisados, com cerca de US$ 70 mil por ano.
Fonte: CBS