Fundo de desastres da FEMA entra em zona crítica às vésperas da temporada de furacões

Com recursos abaixo do nível mínimo, agência limita gastos a emergências enquanto paralisação parcial do governo agrava cenário

Por Lara Barth

FEMA

A Agência Federal de Gestão de Emergências dos Estados Unidos (FEMA) entrou oficialmente em uma zona de risco financeiro a poucas semanas do início da temporada de furacões, forçando a limitação de gastos apenas para necessidades urgentes e que salvem vidas.

A medida, conhecida como Imminent Needs Funding, é acionada quando o Fundo de Alívio a Desastres cai abaixo de US$ 3 bilhões. Segundo autoridades, o momento é particularmente preocupante diante da imprevisibilidade de desastres naturais. “Não sabemos o que pode acontecer entre agora e 1º de junho”, afirmou a administradora associada da FEMA, Victoria Barton.

Embora a agência continue operando, os recursos estão sendo direcionados exclusivamente para resposta emergencial imediata, assistência direta a vítimas e proteção de infraestrutura crítica. Reembolsos e projetos de recuperação de longo prazo estão sendo adiados.

A pressão financeira também afeta os próprios funcionários da FEMA. Cerca de 10 mil trabalhadores, incluindo equipes permanentes e profissionais contratados para resposta a desastres, são pagos com recursos desse fundo. Os custos com folha salarial variam entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões por mês, tornando-se um dos principais fatores de consumo dos recursos disponíveis.

Mesmo antes de atingir o nível crítico, a FEMA já vinha desacelerando pagamentos, incluindo reembolsos relacionados a desastres passados e à pandemia, muitos deles destinados a hospitais rurais. Agora, esses repasses foram interrompidos.

Embora o mecanismo de contenção já tenha sido utilizado outras nove vezes nas últimas duas décadas, autoridades destacam que esta é a primeira vez que ele ocorre durante uma paralisação parcial do governo federal, o que aumenta a incerteza sobre a capacidade de resposta da agência.

O risco se intensifica caso novos desastres ocorram simultaneamente ou em sequência. Eventos de grande escala podem gerar custos de dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, como os furacões Katrina e Harvey. A FEMA geralmente cobre ao menos 75% dos custos elegíveis para estados e municípios, incluindo remoção de destroços e reparo de infraestrutura.

A proximidade da temporada de furacões, que começa em 1º de junho, eleva ainda mais a preocupação. O nível mínimo de recursos foi projetado para garantir resposta a pelo menos um grande desastre. Abaixo disso, a capacidade de lidar com múltiplas emergências fica comprometida.

Além das restrições financeiras, a paralisação do governo tem prejudicado a preparação para desastres. Programas de treinamento para equipes de emergência foram reduzidos, e a coordenação com estados e municípios foi limitada. A FEMA também deixou de participar de eventos nacionais importantes para planejamento da temporada de furacões.

Outro impacto ocorre no Programa Nacional de Seguro contra Inundações, que enfrenta atrasos na renovação de apólices e já afeta o mercado imobiliário em áreas de risco.

Diante do cenário, autoridades defendem que a solução vai além de reforçar o fundo de desastres, sendo necessário restabelecer o financiamento completo do Departamento de Segurança Interna. “Precisamos garantir recursos para toda a estrutura para atender adequadamente a população”, afirmou Barton.

Fonte: CBS