NOAA alerta que El Niño pode provocar aumento histórico de alagamentos costeiros em 2026
Fenômeno climático deve elevar risco de enchentes causadas por marés altas nas costas leste e oeste dos Estados Unidos
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) alertou que a chegada do fenômeno climático El Niño pode provocar um “duplo impacto” de alagamentos costeiros em 2026, aumentando significativamente os episódios de inundação provocados por marés altas em diversas regiões do país.
Segundo a agência americana, o risco é resultado da combinação entre décadas de elevação do nível do mar e os efeitos climáticos associados ao fortalecimento do El Niño.
“Normalmente isso acaba sendo um golpe duplo”, explicou William Sweet, oceanógrafo da NOAA especializado em inundações costeiras. “O primeiro impacto vem do aumento gradual do nível do mar, que já deixa muitas comunidades costeiras próximas do limite. O segundo impacto é um El Niño forte, que traz enchentes de maré alta mais frequentes, profundas e espalhadas pelas costas leste e oeste.”
O El Niño faz parte do ciclo climático chamado ENSO (*El Niño-Southern Oscillation*), responsável por alternar padrões climáticos globais a cada dois a sete anos.
Atualmente, o planeta está em fase neutra após o fim do La Niña, mas o Centro de Previsão Climática da NOAA informou que existe pelo menos 82% de chance de o El Niño se desenvolver até julho e permanecer ativo até fevereiro no Hemisfério Norte.
Durante o El Niño, os ventos alísios no Oceano Pacífico enfraquecem, provocando aquecimento das águas oceânicas e aumento do nível do mar ao redor das Américas.
De acordo com a NOAA, os impactos podem variar por região:
* Costa oeste dos EUA pode enfrentar marés mais altas e ondas intensas;
* Costa atlântica pode registrar aumento de ressacas e avanço do mar;
* Regiões sudeste e do Golfo do México podem sofrer com chuvas excessivas e enchentes.
Os cientistas ainda avaliam qual será a intensidade do próximo El Niño. Segundo Sweet, os episódios registrados entre 2015-2016 e 2023-2024 foram particularmente fortes e já haviam provocado aumento significativo nos episódios de alagamento costeiro.
A NOAA recomenda que moradores de áreas costeiras acompanhem os alertas e previsões através da plataforma oficial de monitoramento de inundações costeiras da agência, que atualiza diariamente os níveis do mar e os riscos de inundação.
Fonte: CBS