A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) alertou que a chegada do fenômeno climático El Niño nos próximos meses pode desencadear um novo episódio global de branqueamento de corais — apenas um ano após o término do último evento recorde.
Segundo a agência americana, o possível fenômeno marcaria o quinto episódio global de branqueamento de corais já registrado na história.
A atualização mais recente do monitoramento da NOAA, divulgada nesta semana, indica alto risco de perda de coloração dos recifes durante o verão no Hemisfério Norte, especialmente em áreas do Oceano Pacífico, incluindo o Havaí. Recifes próximos à Flórida e ao Caribe também estão ameaçados.
Os recifes de coral são considerados ecossistemas essenciais para a vida marinha, servindo de habitat para cerca de 25% de todas as espécies oceânicas. No entanto, o aumento da temperatura dos oceanos provoca estresse térmico nos corais, levando à perda de pigmentação — processo conhecido como branqueamento.
Nas últimas décadas, episódios de branqueamento têm se tornado mais frequentes e intensos, fenômeno amplamente associado às mudanças climáticas. Em outubro do ano passado, pesquisadores da Universidade de Exeter afirmaram que os recifes de coral se tornaram o primeiro sistema ambiental da Terra a ultrapassar um “ponto de não retorno” climático.
Derek Manzello, coordenador do programa Coral Reef Watch da NOAA, afirmou que o monitoramento desses eventos se tornou mais difícil porque o aquecimento oceânico contínuo está tornando o branqueamento quase anual.
“Estamos entrando em uma era em que os recifes irão sofrer branqueamento praticamente todos os anos”, disse o especialista.
Estudos apontam que o último evento global, encerrado em meados de 2025, afetou 84% dos recifes de coral do planeta — o maior impacto já registrado.
Agora, com a possível formação do El Niño entre junho e setembro, cientistas acreditam que um novo episódio severo pode acontecer ainda este ano. A NOAA explica que todos os episódios fortes de El Niño desde 1998 coincidiram com eventos globais de branqueamento.
Apesar do cenário preocupante, pesquisadores também destacam sinais de resistência em alguns recifes. Durante o evento extremo de 2024 e 2025, certos corais conseguiram sobreviver mesmo diante das temperaturas elevadas do oceano.
A diretora do programa de conservação de recifes da NOAA, Jennifer Koss, afirmou que cientistas estão estudando diferentes mecanismos de tolerância ao calor nos corais para desenvolver estratégias mais eficazes de restauração e preservação dos recifes marinhos.
Fonte: CBS

