Trump assina ordem para reduzir recomendações de vacinas infantis nos EUA
Medida orienta CDC a seguir avaliação do governo que defende menos imunizações para crianças e adolescentes
O presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira (30) uma ordem executiva determinando que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alinhe suas recomendações de vacinação infantil a um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) que defende menos vacinas para crianças.
A decisão amplia uma política anunciada ainda em dezembro, quando Trump orientou o HHS a adaptar o calendário vacinal americano às “melhores práticas de países desenvolvidos”.
Em janeiro, o departamento divulgou uma análise afirmando que os Estados Unidos recomendam mais vacinas infantis do que qualquer outro país desenvolvido e aplicam mais que o dobro de doses em comparação a algumas nações europeias.
Após o relatório, o CDC reduziu de 17 para 11 o número de imunizações recomendadas para crianças, provocando forte reação de especialistas e entidades médicas.
A Academia Americana de Pediatria (AAP), uma das principais organizações médicas do país, rompeu com as novas diretrizes e publicou seu próprio calendário de vacinação infantil.
A nova ordem executiva exige que o CDC e o Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP) revisem novamente o relatório do HHS e os dados clínicos mais recentes para atualizar oficialmente o calendário vacinal infantil e adolescente dos EUA.
Segundo a Casa Branca, a medida reforça o compromisso de Trump com uma “ciência de padrão ouro” e amplia a liberdade de escolha de médicos e pacientes.
Entre as mudanças anunciadas anteriormente pelo CDC está a recomendação de que apenas crianças consideradas de alto risco recebam vacinas contra doenças como vírus sincicial respiratório (RSV), hepatites A e B, dengue e meningite meningocócica.
Por outro lado, o órgão manteve a recomendação para imunizações contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche, tétano, poliomielite, HPV e catapora.
Outra mudança controversa ocorreu em dezembro, quando o painel do ACIP recomendou adiar a primeira dose da vacina contra hepatite B para bebês de mães sem o vírus. Durante décadas, a orientação era aplicar a vacina nas primeiras 24 horas após o nascimento; agora, o início poderia ocorrer apenas aos dois meses de idade.
O atual painel do ACIP foi escolhido pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., conhecido por seu histórico de críticas às vacinas. Kennedy substituiu os 17 integrantes anteriores do comitê, e alguns dos novos membros já questionaram estudos científicos consolidados sobre imunização.
Em março, um juiz federal decidiu contra parte das mudanças no calendário vacinal após ação movida pela Academia Americana de Pediatria e outras entidades. A decisão apontou que a reformulação do comitê violou leis federais e ignorou processos científicos tradicionais usados historicamente para recomendações de vacinas.
O governo Trump argumenta que crianças americanas recebem mais vacinas do que crianças de outros países desenvolvidos, especialmente na Europa. Já especialistas afirmam que as diferenças entre calendários vacinais refletem características específicas de cada país.
“Não seguimos o calendário da Dinamarca porque não vivemos na Dinamarca”, afirmou o médico Jose Romero, membro do comitê de doenças infecciosas da Academia Americana de Pediatria. “As crianças nos Estados Unidos enfrentam riscos diferentes e temos um sistema de saúde completamente distinto.”
Fonte: CBS