Amazon é processada por suposta violação de privacidade com reconhecimento facial da Ring

Morador da Virgínia acusa empresa de coletar e armazenar dados biométricos sem consentimento por meio de câmeras inteligentes

Por Lara Barth

Amazon é processada por suposta violação de privacidade com reconhecimento facial da Ring

A Amazon enfrenta uma nova ação judicial relacionada à privacidade de usuários da Ring, empresa de campainhas inteligentes adquirida pela gigante do comércio eletrônico em 2018. Um morador da Virgínia acusa a companhia de utilizar tecnologia de reconhecimento facial para registrar e armazenar imagens de seu rosto sem autorização.

A ação foi apresentada nesta segunda-feira em um tribunal federal de Seattle, cidade onde a Amazon mantém uma de suas sedes. O autor do processo, Charles Sigwalt, afirma que o recurso “Familiar Faces”, lançado pela Ring em setembro de 2025, utiliza inteligência artificial para escanear qualquer pessoa que passe diante da câmera e criar uma espécie de “impressão facial” capaz de identificar indivíduos futuramente.

Segundo a denúncia, a tecnologia coleta dados biométricos mesmo de pessoas que não são proprietárias do equipamento. Sigwalt afirma ter tido suas informações registradas enquanto visitava casas de amigos e familiares que utilizam câmeras Ring. Ele também acredita que a empresa continua armazenando seus dados faciais.

O processo busca status de ação coletiva, o que pode ampliar o caso para incluir outras pessoas que alegam ter sido afetadas pelo sistema.

A Amazon não comentou oficialmente o processo.

O recurso “Familiar Faces” foi criado para oferecer notificações mais personalizadas aos usuários. Em vez de alertas genéricos como “Pessoa na porta da frente”, o sistema pode identificar visitantes frequentes pelo nome. De acordo com a Ring, a funcionalidade aprende a reconhecer amigos, familiares e visitantes recorrentes ao longo do tempo, podendo ser ativada ou desativada pelos usuários.

Apesar disso, organizações de defesa da privacidade têm criticado fortemente a tecnologia. A Electronic Frontier Foundation alertou que o armazenamento de dados biométricos pode abrir caminho para vigilância em massa ou vazamentos de informações sensíveis em ataques cibernéticos.

O senador democrata Edward Markey, de Massachusetts, também se posicionou contra o recurso, argumentando que pessoas podem ter seus rostos escaneados sem qualquer consentimento.

Esta não é a primeira controvérsia envolvendo a Ring. Em 2023, a Federal Trade Commission (FTC) processou a Amazon por permitir que funcionários e prestadores de serviço acessassem vídeos privados de clientes. O caso terminou em um acordo de US$ 5,8 milhões.

Recentemente, a Amazon também encerrou uma parceria comercial com a empresa de tecnologia de segurança Flock Safety após críticas envolvendo um comercial da Ring exibido durante o Super Bowl, que reacendeu preocupações sobre vigilância excessiva.

Fonte: CBS