Desafio viral nas redes sociais faz disparar casos de overdose por Benadryl entre adolescentes nos EUA

Ligações para centros de intoxicação mais que dobraram em 2026; autoridades alertam para riscos graves e até fatais associados ao uso excessivo do medicamento

Por Lara Barth

Desafio viral nas redes sociais faz disparar casos de overdose por Benadryl entre adolescentes nos EUA

O número de casos envolvendo adolescentes e o medicamento Benadryl, conhecido antialérgico vendido sem receita médica nos Estados Unidos, registrou um aumento preocupante em 2026. De acordo com um alerta divulgado pela organização America's Poison Centers, as ligações para centros de controle de intoxicação relacionadas ao uso da substância mais que dobraram nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.

O ingrediente ativo do Benadryl é a difenidramina (diphenhydramine), presente também em alguns medicamentos para dormir. Segundo especialistas, adolescentes têm consumido doses excessivas da substância após desafios e conteúdos compartilhados nas redes sociais que incentivam o uso abusivo do remédio para provocar alucinações ou sensação de euforia.

O alerta surge poucos dias após autoridades de Connecticut informarem que três crianças morreram nos últimos dois meses por suspeitas de overdose de difenidramina. Embora as investigações ainda não tenham confirmado ligação direta com desafios online, os casos aumentaram a preocupação das autoridades de saúde.

Dados da America's Poison Centers mostram que houve 10.068 registros envolvendo adolescentes em 2024. Em 2025, esse número subiu para 13.284 casos, um aumento de quase 32%.

A tendência continua em 2026. Apenas entre janeiro e maio, foram registradas 6.179 ocorrências envolvendo exclusivamente adolescentes entre 13 e 19 anos, mais que o dobro do observado no mesmo período do ano passado.

Segundo a organização, o crescimento está relacionado principalmente ao uso intencional da substância para obter efeitos recreativos, e não a erros acidentais de medicação. Em 2020, 7,3% dos casos estavam ligados ao abuso deliberado do medicamento. Em 2026, esse percentual chegou a 13,2%.

Especialistas alertam que o consumo excessivo de difenidramina pode causar efeitos graves no cérebro e no coração. Entre os sintomas estão sonolência extrema, agitação, alucinações, convulsões, alterações perigosas no ritmo cardíaco e perda de consciência.

A Kenvue, fabricante do Benadryl, afirmou que a segurança dos consumidores é prioridade e classificou a tendência nas redes sociais como "extremamente perigosa". A empresa também manifestou solidariedade às famílias afetadas pelos casos recentes.

As autoridades reforçam que qualquer suspeita de intoxicação deve ser tratada como emergência médica.

Fonte: ABC