Ex-promotor do Tennessee assumirá defesa de ex-jogador da NFL acusado de matar namorada brasileira
Família de Gabriella Perpétuo acompanha audiência e cobra justiça enquanto processo por homicídio avança nos Estados Unidos
O ex-promotor distrital do condado de Hamilton, Neal Pinkston, deverá assumir a defesa do ex-jogador da NFL Darron Lee, acusado de assassinar a namorada brasileira Gabriella Perpétuo. A informação foi confirmada durante uma audiência realizada nesta semana no Tennessee, nos Estados Unidos.
Foi a primeira vez que Lee falou diante do tribunal desde sua prisão, em fevereiro. Na semana passada, um grande júri do condado de Hamilton o indiciou formalmente por homicídio em primeiro grau pela morte de Gabriella.
Durante a audiência, Pinkston informou ao juiz que está finalizando os trâmites para representar oficialmente o ex-atleta e pediu o adiamento da leitura formal das acusações para o início de julho.
“Eu me reuni com o senhor Lee e sua família. Gostaria de solicitar que a audiência de acusação ocorra na semana de 6 de julho. Acredito que todos os arranjos estarão concluídos até lá”, afirmou o advogado.
Família promete acompanhar todas as audiências
Membros da família de Gabriella estiveram presentes no tribunal e afirmaram que pretendem acompanhar cada etapa do processo.
“Estamos aqui porque ela não pode estar. Eu preciso estar aqui”, disse a mãe da vítima, Monique Perpétuo.
Segundo ela, acompanhar o caso é uma forma de continuar ao lado da filha.
“Como mãe, sempre estive com Gabriella nos momentos felizes e também nos mais difíceis. Sinto que, se eu não estiver aqui, estarei abandonando-a”, declarou.
Os familiares usaram camisetas com a frase “Justiça por Gabriella Perpétuo”. Na parte de trás da roupa, estava estampado o número da Linha Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica dos Estados Unidos.
A mãe da jovem aproveitou a oportunidade para reforçar a importância de buscar ajuda em relacionamentos abusivos.
“Não espere que sua família tenha que usar uma camisa como esta por você. Se estiver em perigo, procure ajuda. E também precisamos ajudar os agressores a receber tratamento. Isso pode salvar milhares de mulheres”, afirmou.
Família quer responsabilização de plataformas de IA
Além do processo criminal contra Darron Lee, a família de Gabriella busca responsabilizar a OpenAI, alegando que a inteligência artificial teve participação indireta nos acontecimentos que antecederam a morte da jovem.
Em março, a promotora do caso, Coty Wamp, apresentou supostas conversas entre Lee e o ChatGPT. Segundo a acusação, um dia antes de Gabriella ser encontrada por equipes de emergência, o ex-jogador teria perguntado ao assistente virtual como lidar com uma pessoa “inconsciente” ou “sem resposta”.
Os advogados da família afirmam que plataformas de inteligência artificial precisam adotar mecanismos mais rigorosos de segurança.
“Nós acreditamos que é importante que o ChatGPT e todas as plataformas de IA tenham mecanismos de proteção adequados. As pessoas podem utilizar essas ferramentas, mas elas não podem operar sem limites ou consequências”, afirmou o advogado C. Mark Warren.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua qualquer responsabilidade à OpenAI no caso.
Quatro meses após a tragédia
Quatro meses após a morte de Gabriella, a família afirma que segue empenhada em buscar justiça enquanto tenta preservar a memória da jovem.
A irmã da vítima, Isabella Perpétuo, contou que os familiares têm realizado atividades que Gabriella gostava para manter sua presença viva.
“Ela adoraria visitar um aquário, um museu, um parque ou um café. Quando fazemos essas coisas, sentimos que ela também está participando conosco”, disse.
O caso retornará ao tribunal no dia 8 de julho, quando deverá ocorrer uma nova audiência relacionada ao processo de homicídio.