Virgínia aprova venda recreativa de maconha em lojas a partir de 2027

Estado permitirá abertura de até 350 estabelecimentos para comercialização da cannabis; medida deve gerar cerca de US$ 51 milhões em receitas no primeiro ano

Por Lara Barth

Em 2022, cerca de 17,7 milhões de pessoas usaram maconha diariamente ou quase diariamente, em comparação com 14,7 milhões de consumidores diários ou quase diários de álcool.

Cinco anos após se tornar o primeiro estado do sul dos Estados Unidos a legalizar a posse de maconha para adultos, a Virgínia aprovou a criação de um mercado regulamentado para a venda recreativa da droga.

A nova legislação, sancionada por meio do orçamento estadual, permitirá a abertura de até 350 lojas licenciadas para comercializar cannabis a partir de 1º de julho de 2027.

As licenças para os estabelecimentos começarão a ser solicitadas em 1º de fevereiro de 2027, e as vendas serão permitidas apenas para pessoas com 21 anos ou mais.

O que muda com a nova lei

Além de autorizar a venda recreativa, a legislação amplia o limite de posse de maconha para uso pessoal.

Os moradores poderão portar até 2 onças (cerca de 56 gramas) de cannabis, o dobro do limite anterior de 1 onça (aproximadamente 28 gramas).

A lei também mantém a autorização para o cultivo doméstico de um número limitado de plantas.

O estado cobrará um imposto específico sobre a venda da cannabis, além do imposto estadual sobre vendas. A expectativa do governo é arrecadar aproximadamente US$ 51 milhões no primeiro ano de funcionamento do mercado legal.

Objetivo é combater o mercado ilegal

A senadora estadual Lashrecse Aird, uma das principais defensoras da proposta, afirmou que a legalização da posse sem a criação de um mercado regulado acabou fortalecendo o comércio clandestino.

Segundo ela, o novo modelo permitirá a venda de produtos testados, devidamente rotulados e comercializados dentro de padrões de segurança, oferecendo uma alternativa ao mercado ilegal.

Debate político

A expansão das leis sobre a maconha na Virgínia tem sido liderada por parlamentares democratas, que defendem a medida também como uma forma de reduzir desigualdades raciais no sistema de Justiça.

Estudos estaduais apontam que moradores negros eram desproporcionalmente abordados, presos e condenados por crimes relacionados à maconha antes da legalização.

Apesar do apoio à criação do mercado regulado, parte dos defensores da legalização criticou um trecho da nova lei que aumenta a multa para o consumo da droga em locais públicos, alegando que a medida pode voltar a gerar aplicação desigual da legislação.

Mudança acompanha tendência nacional

A Virgínia já possuía um programa de maconha medicinal, permitindo a venda da substância mediante prescrição médica.

Agora, passa a integrar o grupo de estados que também autorizam o uso recreativo.

Segundo o Marijuana Policy Project, cerca de metade dos estados americanos já permite o consumo recreativo da cannabis, enquanto a maioria autoriza ao menos o uso medicinal.

Apesar desse avanço em nível estadual, a maconha continua sendo considerada ilegal pela legislação federal dos Estados Unidos.

No entanto, em abril deste ano, o governo do presidente Donald Trump anunciou a reclassificação da maconha medicinal licenciada pelos estados para uma categoria de menor risco, acelerando o processo de revisão da política federal sobre a droga.

A criação do mercado recreativo na Virgínia encerra um impasse político que se arrastava desde 2021. Em 2024, o então governador republicano Glenn Youngkin vetou um projeto semelhante. A proposta acabou sendo retomada e negociada pela atual governadora Abigail Spanberger, que assumiu o cargo em janeiro de 2026 e apoiou um acordo aprovado pela Assembleia Legislativa.

Fonte: ABC