Virgínia aprova venda recreativa de maconha em lojas a partir de 2027
Estado permitirá abertura de até 350 estabelecimentos para comercialização da cannabis; medida deve gerar cerca de US$ 51 milhões em receitas no primeiro ano
Cinco anos após se tornar o primeiro estado do sul dos Estados Unidos a legalizar a posse de maconha para adultos, a Virgínia aprovou a criação de um mercado regulamentado para a venda recreativa da droga.
A nova legislação, sancionada por meio do orçamento estadual, permitirá a abertura de até 350 lojas licenciadas para comercializar cannabis a partir de 1º de julho de 2027.
As licenças para os estabelecimentos começarão a ser solicitadas em 1º de fevereiro de 2027, e as vendas serão permitidas apenas para pessoas com 21 anos ou mais.
O que muda com a nova lei
Além de autorizar a venda recreativa, a legislação amplia o limite de posse de maconha para uso pessoal.
Os moradores poderão portar até 2 onças (cerca de 56 gramas) de cannabis, o dobro do limite anterior de 1 onça (aproximadamente 28 gramas).
A lei também mantém a autorização para o cultivo doméstico de um número limitado de plantas.
O estado cobrará um imposto específico sobre a venda da cannabis, além do imposto estadual sobre vendas. A expectativa do governo é arrecadar aproximadamente US$ 51 milhões no primeiro ano de funcionamento do mercado legal.
Objetivo é combater o mercado ilegal
A senadora estadual Lashrecse Aird, uma das principais defensoras da proposta, afirmou que a legalização da posse sem a criação de um mercado regulado acabou fortalecendo o comércio clandestino.
Segundo ela, o novo modelo permitirá a venda de produtos testados, devidamente rotulados e comercializados dentro de padrões de segurança, oferecendo uma alternativa ao mercado ilegal.
Debate político
A expansão das leis sobre a maconha na Virgínia tem sido liderada por parlamentares democratas, que defendem a medida também como uma forma de reduzir desigualdades raciais no sistema de Justiça.
Estudos estaduais apontam que moradores negros eram desproporcionalmente abordados, presos e condenados por crimes relacionados à maconha antes da legalização.
Apesar do apoio à criação do mercado regulado, parte dos defensores da legalização criticou um trecho da nova lei que aumenta a multa para o consumo da droga em locais públicos, alegando que a medida pode voltar a gerar aplicação desigual da legislação.
Mudança acompanha tendência nacional
A Virgínia já possuía um programa de maconha medicinal, permitindo a venda da substância mediante prescrição médica.
Agora, passa a integrar o grupo de estados que também autorizam o uso recreativo.
Segundo o Marijuana Policy Project, cerca de metade dos estados americanos já permite o consumo recreativo da cannabis, enquanto a maioria autoriza ao menos o uso medicinal.
Apesar desse avanço em nível estadual, a maconha continua sendo considerada ilegal pela legislação federal dos Estados Unidos.
No entanto, em abril deste ano, o governo do presidente Donald Trump anunciou a reclassificação da maconha medicinal licenciada pelos estados para uma categoria de menor risco, acelerando o processo de revisão da política federal sobre a droga.
A criação do mercado recreativo na Virgínia encerra um impasse político que se arrastava desde 2021. Em 2024, o então governador republicano Glenn Youngkin vetou um projeto semelhante. A proposta acabou sendo retomada e negociada pela atual governadora Abigail Spanberger, que assumiu o cargo em janeiro de 2026 e apoiou um acordo aprovado pela Assembleia Legislativa.
Fonte: ABC