Casa Branca nomeia professor de Harvard para liderar conselho sobre UFOs e riscos à segurança nacional

Astrofísico Avi Loeb, conhecido por teorias controversas sobre vida extraterrestre, vai coordenar grupo que analisará fenômenos aéreos não identificados

Por Lara Barth

Avi Loeb

A Casa Branca anunciou a criação de um conselho científico voltado ao estudo de possíveis riscos à segurança nacional associados a UFOs — atualmente chamados de fenômenos anômalos não identificados (UAPs) — e nomeou o astrofísico de Harvard Avi Loeb para liderar a iniciativa.

Loeb, ex-chefe do departamento de astronomia da Universidade de Harvard e conhecido por suas teorias controversas sobre possíveis sinais de tecnologia alienígena, irá coordenar uma equipe de cientistas externos que investigará relatos de objetos misteriosos observados por militares nos últimos anos.

O grupo atuará como assessoria de um novo painel da Casa Branca voltado ao tema, parte de uma iniciativa do governo do presidente Donald Trump para ampliar a transparência sobre registros relacionados a fenômenos aéreos não identificados.

“É como uma história de detetive. É divertido, desde que você não dê muita atenção aos críticos”, disse Loeb em entrevista.

Cientista defende investigação aberta sobre fenômenos

Nos últimos anos, Loeb tem defendido que a ciência deve considerar a possibilidade de objetos interestelares terem origem tecnológica não humana. Em 2017, ele ganhou destaque ao sugerir que o objeto interestelar conhecido como ‘Oumuamua’ poderia ser uma espécie de vela solar artificial, hipótese que gerou forte debate na comunidade científica.

Mais recentemente, o pesquisador também levantou a possibilidade de que o cometa interestelar 3I/ATLAS pudesse ter origem artificial, embora outros cientistas defendam explicações naturais para o fenômeno.

Apesar das críticas, Loeb afirma que sua abordagem busca analisar todas as hipóteses possíveis até que haja dados conclusivos.

Controvérsia na comunidade científica

As teorias do astrofísico dividem a comunidade acadêmica. Parte dos cientistas o acusa de apresentar conclusões sem evidências suficientes e de levar hipóteses diretamente ao público sem passar pelo processo tradicional de revisão científica.

O astrofísico Steve Desch, da Universidade Estadual do Arizona, um dos críticos de Loeb, afirma que suas metodologias são falhas e que sua abordagem não contribui para o avanço da pesquisa científica sobre vida fora da Terra.

Para Desch, a liderança de Loeb no conselho da Casa Branca levanta dúvidas sobre a direção do projeto.

Conselho reúne cientistas e militares

A equipe liderada por Loeb inclui mais de uma dezena de cientistas e especialistas, entre eles o ex-rear admiral da Marinha dos EUA Timothy Gallaudet, que já afirmou publicamente acreditar na possibilidade de inteligência não humana envolvida em alguns fenômenos relatados.

Também integra o grupo o empresário Ben Lamm, conhecido por projetos de biotecnologia e tentativa de “ressuscitar espécies extintas”.

Segundo Loeb, o primeiro encontro do conselho resultou em pedidos ao Pentágono para acesso a mais de 50 vídeos, imagens e documentos sobre incidentes envolvendo UAPs.

O pesquisador afirmou ainda que pretende tornar parte das conclusões públicas por meio de relatórios e de um site oficial.

Governo Trump e transparência sobre fenômenos aéreos

A iniciativa faz parte de uma diretriz do presidente Donald Trump para ampliar a divulgação de informações sobre UFOs e possíveis encontros não explicados registrados por forças militares.

Nos últimos meses, o Pentágono já divulgou vídeos e relatórios antigos envolvendo objetos não identificados, mas afirmou não haver evidências de vida extraterrestre.

A Casa Branca também criou um painel de governança sobre UAPs vinculado ao Escritório de Inteligência Nacional, que realizou sua primeira reunião recentemente.

Apesar disso, órgãos oficiais de investigação seguem afirmando que não há comprovação de origem alienígena para os fenômenos registrados.

Debate entre ciência e especulação

Enquanto defensores da iniciativa acreditam que o projeto pode trazer mais transparência e dados científicos, críticos afirmam que a presença de pesquisadores associados a teorias especulativas pode comprometer a credibilidade das investigações.

Loeb, por sua vez, afirma que seu objetivo é manter o foco em dados concretos.

“Vamos manter os olhos nos objetos, não nas redes sociais”, disse o cientista.

Fonte: CBS