Onda de calor pode tornar este 4 de Julho um dos mais quentes da história nos Estados Unidos

Mais de 185 milhões de pessoas estão sob alertas de calor extremo; enquanto isso, a Flórida terá temperaturas elevadas, mas com pancadas de chuva durante o feriado

Por Lara Barth

Um aviso de calor é emitido pelo Serviço Meteorológico Nacional quando um índice de calor de 105°F ou mais é esperado por pelo menos duas horas em Miami-Dade

Milhões de americanos enfrentam uma intensa onda de calor neste fim de semana prolongado do Dia da Independência dos Estados Unidos (4 de Julho). Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), esta pode ser uma das datas mais quentes já registradas em diversas regiões do país, com temperaturas acima dos 38°C (100°F) e sensação térmica que pode chegar a 46°C (115°F) em alguns locais.

Mais de 185 milhões de pessoas estão sob alertas de calor extremo, que abrangem grandes centros urbanos como Nova York, Boston, Filadélfia e Washington, D.C. Meteorologistas estimam que mais de 300 recordes de temperatura poderão ser igualados ou superados até o fim de semana.

As altas temperaturas já provocaram mudanças na programação das comemorações do feriado. Diversos eventos foram cancelados ou adiados por questões de segurança, e a empresa ferroviária **Amtrak** suspendeu algumas viagens no Nordeste devido ao risco de danos causados pelo calor excessivo nos trilhos.

Em Nova York, a cidade registrou 37,8°C (100°F) na quinta-feira, igualando o recorde para a data, estabelecido em 1966. A previsão indicava nova marca próxima dos 38°C na sexta-feira, com sensação térmica ainda maior.

Pela primeira vez, a prefeitura mobilizou equipes compostas por enfermeiros e paramédicos para distribuir água, bebidas com eletrólitos e protetor solar, além de encaminhar moradores para centros de resfriamento espalhados pela cidade.

Na capital americana, Washington, D.C., a temperatura pode atingir 38,3°C (101°F) neste 4 de Julho, superando o recorde histórico de 37,8°C (100°F) registrado em 1919. As autoridades orientaram moradores e turistas a evitarem exposição prolongada ao sol durante as festividades dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.

Na Filadélfia, o tradicional desfile em homenagem ao Dia da Independência foi cancelado por causa do calor extremo. Já em Nashville, equipes distribuíram água gelada para pessoas em situação de rua diante da previsão de sensação térmica de até 46°C.

Flórida terá calor, mas também chuva

Na Flórida, o cenário será diferente do restante do país. Embora as temperaturas permaneçam elevadas, variando entre 32°C e 34°C (90°F a 93°F), a previsão indica pancadas de chuva e tempestades típicas de verão durante as tardes.

No sul do estado, incluindo a região de Miami, a sexta-feira começou com tempo firme, mas a expectativa é de chuvas isoladas e possibilidade de alagamentos localizados ao longo da tarde. O mesmo padrão deve se repetir no sábado e no domingo.

No centro da Flórida, cidades como Orlando também devem registrar calor próximo dos 34°C (93°F), acompanhado por chuvas e trovoadas principalmente durante o período da tarde.

Especialistas alertam para riscos à saúde

Segundo os meteorologistas, a onda de calor é provocada por um fenômeno conhecido como "domo de calor" (heat dome), uma área de alta pressão atmosférica que aprisiona o ar quente próximo à superfície, dificultando a formação de nuvens e aumentando a sensação térmica.

Especialistas lembram que o calor extremo é a principal causa de mortes relacionadas a eventos climáticos nos Estados Unidos. Entre os sintomas de exaustão pelo calor estão fadiga, tontura, câimbras, náuseas e desidratação. Casos mais graves podem evoluir para insolação, uma emergência médica caracterizada por confusão mental, perda de consciência e aumento perigoso da temperatura corporal.

Médicos recomendam que a população mantenha boa hidratação, evite atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes do dia, procure ambientes climatizados sempre que possível e redobre os cuidados com idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, considerados os grupos mais vulneráveis às altas temperaturas.

Fonte: CBS/NBC/WESH