Pai de adolescente que matou quatro pessoas em escola da Geórgia será condenado nos EUA

Colin Gray foi considerado culpado por fornecer o rifle usado pelo filho no ataque e pode pegar mais de 100 anos de prisão.

Por Lara Barth

Imagem genérica algemas; polícia

O americano Colin Gray, de 56 anos, será sentenciado nesta quinta-feira após ser considerado culpado por sua responsabilidade no ataque a tiros ocorrido em setembro de 2024 na Apalachee High School, no estado da Geórgia.

O caso ganhou repercussão nacional por responsabilizar criminalmente o pai do atirador. Segundo a Justiça, Gray forneceu o rifle semiautomático no estilo AR-15 utilizado por seu filho, Colt Gray, que tinha 14 anos na época do ataque.

O tiroteio deixou quatro mortos — dois estudantes e dois professores — além de vários feridos.
Em março, um júri condenou Colin Gray por 27 acusações, entre elas homicídio em segundo grau, homicídio culposo, crueldade contra menores e conduta imprudente. Ele pode ser condenado a mais de 100 anos de prisão.

Na terça-feira, o filho, hoje com 16 anos, foi sentenciado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, após se declarar culpado de todas as 55 acusações, incluindo assassinato e agressão agravada.

Durante o julgamento do pai, promotores apresentaram evidências de que Colin Gray havia sido alertado sobre o comportamento do filho, que demonstrava interesse por autores de massacres em escolas e mantinha, em seu quarto, um memorial dedicado ao responsável pelo ataque à escola Marjory Stoneman Douglas, na Flórida, em 2018.

Segundo a acusação, em vez de buscar ajuda psicológica para o adolescente, o pai presenteou o filho com o rifle usado posteriormente no ataque.

Ao depor, Colin Gray afirmou que jamais imaginou que o filho fosse capaz de cometer um crime dessa gravidade. Ele confirmou ter dado a arma de presente, mas disse que havia estabelecido regras para seu uso, permitindo que fosse utilizada apenas em estandes de tiro até que o jovem completasse 18 anos.

Após a condenação, o promotor Brad Smith afirmou que havia diversos sinais de alerta e que a tragédia poderia ter sido evitada. "Bastava retirar o rifle, e isso não teria acontecido", declarou.

O caso é um dos mais emblemáticos nos Estados Unidos por responsabilizar criminalmente pais por ataques cometidos por seus filhos, seguindo decisões semelhantes envolvendo os pais do atirador da escola Oxford High School, em Michigan.

Fonte: NBC