CEO da Taylor Farms é pressionado por investigação sobre surto de Cyclospora e supostos vínculos com a Casa Branca
Líder democrata do Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA cobra explicações da empresa após surto associado a alface recolhida afetar milhares de pessoas em dezenas de estados.
O CEO da Taylor Farms, Bruce Taylor, está sendo pressionado por parlamentares dos Estados Unidos a prestar esclarecimentos sobre a atuação da empresa durante um surto nacional de Cyclospora, um parasita que pode causar doenças intestinais e que foi associado a lotes de alface recolhidos pela companhia.
O deputado democrata Robert Garcia, da Califórnia, principal membro do Partido Democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, enviou nesta segunda-feira uma carta ao executivo solicitando informações sobre o papel da empresa no caso e sobre possíveis tentativas de influenciar a resposta das autoridades federais.
O surto deixou milhares de pessoas doentes em dezenas de estados americanos e aumentou a pressão sobre a Taylor Farms e sobre a condução da investigação pelo governo.
Segundo Garcia, a empresa teria relações próximas com a administração do presidente Donald Trump e poderia ter tentado interferir na resposta federal ao caso.
“Taylor Farms doou milhões ao presidente Trump, se reuniu em particular com a Casa Branca na noite em que a FDA identificou a alface da empresa como origem do surto e depois teria tentado se distanciar do problema”, afirmou o parlamentar em declaração à CBS News.
Questionamentos sobre doações políticas
Documentos da Comissão Federal Eleitoral dos Estados Unidos (FEC) mostram que a Taylor Farms contribuiu com US$ 1 milhão para o super PAC MAGA Inc., ligado ao presidente Donald Trump, em 2025.
Outros registros indicam que a empresa também fez doações superiores a US$ 1 milhão para outros comitês de ação política ligados ao Partido Republicano no ano passado.
A Casa Branca rejeitou as acusações feitas pelo deputado.
“Qualquer alegação de que a Casa Branca ou a administração Trump comprometeria a saúde e a segurança do povo americano é absolutamente falsa”, declarou o porta-voz Kush Desai.
Em nota, a Taylor Farms afirmou que a segurança dos alimentos é sua prioridade e destacou que, segundo a FDA (agência americana de alimentos e medicamentos), não havia resultados positivos confirmados para Cyclospora em testes de produtos até 24 de julho.
Deputado pede documentos e comunicações
Na carta enviada ao CEO da empresa, Garcia solicitou que a Taylor Farms entregue registros de todas as comunicações relacionadas ao surto com agências federais desde o início do caso, além de contatos com a Casa Branca desde 21 de janeiro.
O parlamentar também pediu documentos sobre os protocolos de segurança alimentar da companhia.
Garcia afirmou que o episódio prejudicou a confiança dos consumidores no sistema de fiscalização de alimentos dos Estados Unidos.
A Taylor Farms declarou anteriormente que agiu rapidamente ao tomar conhecimento de uma possível ligação entre seus produtos e o surto, retirando do mercado todos os itens potencialmente envolvidos.
Questionamentos sobre investigação da FDA
A condução da investigação pela FDA também passou a ser questionada.
Em 16 de julho, a agência relacionou os casos de doença a alface-americana servida em restaurantes Taco Bell de cinco estados, sem divulgar inicialmente o nome do fornecedor.
No dia seguinte, a Taylor Farms recolheu sua alface e a FDA informou que a Taylor Farms de Mexico era a origem do produto potencialmente contaminado.
Posteriormente, a agência anunciou que uma amostra de alface havia testado positivo para Cyclospora, mas depois voltou atrás e classificou o resultado como um falso positivo.
A FDA explicou que, devido à complexidade da detecção do parasita, especialistas revisaram novamente os testes e concluíram que o resultado não representava uma confirmação real da presença do organismo.
Especialistas em saúde pública ouvidos pela CBS News afirmaram que, embora testes para Cyclospora possam ser difíceis e apresentar resultados incorretos, é incomum que a FDA divulgue um resultado positivo e depois o retire.
A Casa Branca defendeu a investigação da agência e afirmou que a FDA segue um processo baseado em evidências, mantendo a conclusão de que há fortes indícios epidemiológicos apontando para um carregamento de alface triturada da Taylor Farms de Mexico como possível origem do surto.
Fonte: CBS