Surto de Cyclospora em Michigan registra duas mortes entre mais de 11 mil casos

Autoridades de saúde afirmam que vítimas tinham doenças preexistentes e reforçam que a infecção raramente é fatal. Investigação continua para identificar a origem do surto.

Por Lara Barth

Médico; medicina; saúde

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan confirmou duas mortes relacionadas ao surto de cicloporíase (cyclosporiasis), doença intestinal causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis. Segundo as autoridades, os dois pacientes apresentavam problemas graves de saúde que podem ter sido agravados pela infecção e pela desidratação.

Apesar dos óbitos, o órgão ressaltou que a cicloporíase normalmente não representa risco de morte e que casos fatais são considerados raros nos Estados Unidos.

Especialistas também afirmam que não há motivo para alarme generalizado. De acordo com o médico Joel Kammeyer, da Universidade Wayne State, a desidratação provocada pela doença pode ser especialmente perigosa para pessoas com múltiplas condições médicas.

O surto já soma 11.234 casos confirmados ou prováveis em Michigan até o dia 3 de agosto, um aumento de 461 registros em apenas três dias. Desde o início da investigação, em 22 de junho, 193 pessoas precisaram ser hospitalizadas.

Para efeito de comparação, Michigan costuma registrar cerca de 50 casos por ano da doença.
A investigação aponta que o surto começou no condado de Monroe e já se espalhou por 70 condados, com maior concentração no sudeste do estado. Oakland e Wayne estão entre os mais afetados, com mais de mil casos cada.

As autoridades canadenses também emitiram um alerta para moradores da região de Windsor-Essex, em Ontário, recomendando cuidados extras para quem viajar a Michigan. A maioria dos casos registrados na região está relacionada a viagens ao estado americano.

Os sintomas mais comuns da cicloporíase incluem diarreia intensa, perda de apetite, náusea, inchaço abdominal, fadiga e, em alguns casos, vômitos e dores no corpo. Os sinais costumam aparecer cerca de uma semana após a infecção e podem durar várias semanas sem tratamento.

As investigações indicam que alface e outras folhas verdes podem estar entre as possíveis fontes de contaminação. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) informou que um fornecedor de alface da rede Taco Bell foi associado a um dos surtos, levando a empresa Taylor Farms a retirar voluntariamente do mercado toda a alface iceberg cultivada na região central do México.

Enquanto a investigação continua, as autoridades orientam a população a lavar bem frutas e verduras em água corrente, remover folhas externas da alface, refrigerar alimentos adequadamente e descartar produtos danificados.

Fonte: CBS