Menina de 10 anos descobriu plano de envenenamento antes de ser morta pela mãe e avó nos EUA
Polícia de Nova York afirma que mensagens recuperadas revelaram que uma das crianças percebeu o crime antes da morte dos quatro irmãos; mãe e avó foram apontadas como autoras e tiraram a própria vida.
Uma menina de 10 anos teria descoberto que ela e os três irmãos estavam sendo envenenados pela própria mãe e pela avó pouco antes de morrer, segundo a polícia de Mechanicville, no estado de Nova York.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (4) pelo chefe de polícia William Rabbitt, durante uma coletiva sobre o caso, investigado como homicídio seguido de suicídio.
As vítimas foram identificadas como Gracelynn Harmon e seu irmão gêmeo Gavin, ambos de 10 anos; Hudson, de 11; e Harper, de 13. As quatro crianças foram encontradas mortas no dia 23 de junho no apartamento da avó, Amy Steadman, de 64 anos.
No mesmo local, também foram encontrados os corpos de Amy e da filha dela, Sarah Myers, de 44 anos, apontadas pelos investigadores como responsáveis pelas mortes antes de cometerem suicídio.
Mensagens revelaram suspeitas da menina
Segundo a polícia, mensagens recuperadas dos celulares mostram que Gracelynn, conhecida pela família como Gracie, percebeu que algo estava errado e chegou a questionar a mãe e a avó.
Em uma das mensagens, a menina teria escrito:
“Por que vocês fariam isso? Vocês duas não me deixam vomitar”, enquanto relatava fortes dores de estômago.
Pouco depois, de acordo com os investigadores, Amy enviou uma mensagem para Sarah dizendo que “Gracie está ciente”. As duas então continuaram conversando sobre o plano.
A polícia afirma que as mensagens indicam que mãe e filha discutiram a compra de medicamentos e justificaram os assassinatos como uma suposta forma de “proteger” as crianças e impedir que elas fossem morar com o pai, Brady Harmon.
Investigação aponta planejamento
Os investigadores também informaram que Gavin morreu após sofrer múltiplos golpes com um objeto cortante e apresentava sinais de defesa, indicando uma possível tentativa de reação ao ataque.
As outras três crianças apresentavam sinais de envenenamento, mas os exames toxicológicos ainda estão em andamento. A polícia afirmou que os resultados não serão divulgados para evitar que detalhes sobre o método utilizado possam ser reproduzidos.
“Independentemente do que tenham considerado justificar suas ações, o assassinato deliberado de quatro crianças não pode ser descrito como proteção”, afirmou o chefe de polícia William Rabbitt.
A investigação também revelou que Sarah Myers havia feito buscas na internet sobre efeitos de medicamentos, reações à insulina em pessoas sem diabetes, o sistema judicial de Utah e locais mais letais para ataques com faca.
Segundo a polícia, quando os medicamentos usados inicialmente não tiveram o efeito esperado, Sarah teria enviado uma mensagem à mãe dizendo que elas precisavam de “outra opção”.
Histórico familiar sob investigação
O pai das crianças, Brady Harmon, afirmou ao jornal Albany Times-Union que recebeu dez notificações do Serviço de Proteção à Criança do Condado de Saratoga envolvendo investigações sobre a situação dos filhos.
Segundo ele, uma das últimas apurações envolvia uma suspeita de síndrome de Munchausen por procuração, condição em que um cuidador provoca ou inventa doenças em uma criança para fazê-la parecer doente.
Harmon afirmou que uma terapeuta concluiu, na época, que Sarah apresentava comportamento negligente, mas que as crianças não estariam em risco imediato.
A investigação continua em andamento.
Fonte: O Globo