Pai pede investigação após 12 jovens terem câncer raro na mesma região da Califórnia
Família de jovem que morreu de um tumor extremamente raro teme que exista uma possível ligação com os casos de sarcoma de Ewing em Ladera Ranch
Um pai está pedindo uma investigação sobre um possível agrupamento de casos de câncer raro no sul da Califórnia, depois que 12 crianças e jovens adultos foram diagnosticados com sarcoma de Ewing na comunidade de Ladera Ranch.
A preocupação ganhou força para a família de Lilly Dalton, que cresceu em Laguna Niguel, cidade localizada a cerca de 10 quilômetros de Ladera Ranch. Lilly morreu em janeiro de 2026, aos 23 anos, após ser diagnosticada com um tipo extremamente raro de câncer.
O pai dela, Brian Dalton, afirma que a quantidade de casos em uma área relativamente pequena não deveria ser ignorada.
“Isso não pode ser coincidência. Ter tantos casos de câncer surgindo em uma comunidade tão pequena é algo absurdo”, disse ele à revista People.
Diagnóstico raro e tratamento agressivo
Lilly começou a sentir dores abdominais em maio de 2024, poucos dias depois de se formar na Universidade Loyola, em Nova Orleans.
Inicialmente, os médicos suspeitaram de gastrite. Após o agravamento dos sintomas, exames revelaram um tumor no fígado.
Durante uma cirurgia, os médicos encontraram o tumor principal e outras pequenas formações. Meses depois, em setembro de 2024, Lilly recebeu o diagnóstico de tumor desmoplásico de pequenas células redondas (DSRCT), um câncer extremamente raro.
Segundo o pai, o caso apresentava características incomuns e não se encaixava perfeitamente em um diagnóstico conhecido.
Lilly passou por tratamentos intensivos, incluindo quimioterapia, cirurgia e HIPEC, procedimento que utiliza quimioterapia aquecida diretamente na cavidade abdominal. Os médicos chegaram a remover cerca de 30 pequenos tumores.
Mesmo após novos ciclos de quimioterapia, radioterapia e protonterapia, a doença continuou avançando.
Como última tentativa, Lilly recebeu uma dose muito alta de quimioterapia, que provocou danos ao sistema nervoso. Sem novas opções de tratamento, ela passou a receber cuidados paliativos em casa e morreu em 25 de janeiro de 2026.
Família vê possível ligação com os casos de Ladera Ranch
Segundo Brian, os médicos identificaram no tumor da filha uma fusão genética associada ao sarcoma de Ewing, embora o câncer de Lilly fosse diferente daquele diagnosticado nos 12 jovens de Ladera Ranch.
A possível relação levou a família a pedir que as autoridades investiguem o que pode estar por trás da concentração incomum de casos.
Brian participou de uma audiência pública na região e contou a história da filha diante de moradores que também buscam respostas.
“Se a Lilly soubesse do que está acontecendo em Ladera Ranch, ela seria uma voz em defesa dessas outras crianças”, afirmou.
O pai também destacou que a filha passou parte da doença conscientizando outras pessoas sobre sarcomas e cânceres raros.
“Ela era uma pessoa extraordinária e tinha toda uma vida pela frente”, lamentou.
Até o momento, a existência de uma relação entre os casos de Ladera Ranch e a doença de Lilly não foi estabelecida cientificamente. A família, porém, defende que o agrupamento de casos seja investigado para determinar se existe algum fator ambiental, genético ou outra possível causa em comum.
Fonte: Crescer