Ex-policial acusado de matar esposa brasileira em 2005 volta à Carolina do Sul após ser capturado na China

Daniel Hiers Jr. estava na lista dos 15 fugitivos mais procurados pelo Serviço de Marshals dos EUA e agora permanece detido para responder às acusações

Por Lara Barth

Daniel William Hiers Jr e Ludimila

O ex-policial Daniel William Hiers Jr., de 53 anos, voltou à Carolina do Sul para responder às acusações relacionadas à morte de sua esposa brasileira, Ludimila Hiers, assassinada em 2005. O ex-agente havia fugido para a China e chegou a integrar a lista dos 15 fugitivos mais procurados pelo Serviço de Marshals dos Estados Unidos (USMS).
Hiers foi levado na quinta-feira ao Hill-Finklea Detention Center, no condado de Berkeley, após ser extraditado da China. Ele é procurado por um mandado de prisão por homicídio em Goose Creek e também por acusações relacionadas a abuso sexual de uma menor no condado de Dorchester.
Ludimila, de 24 anos, foi encontrada morta dentro da casa do casal em 15 de março de 2005. Segundo as autoridades, ela havia sido baleada na parte de trás da cabeça enquanto dormia.
Hiers deveria se apresentar naquele mesmo dia ao escritório do xerife para tratar de outras acusações, mas não compareceu ao encontro marcado com seu advogado. Um mandado de prisão pelo assassinato de Ludimila foi emitido e, pouco depois, ele desapareceu.
Antes de fugir, Hiers trabalhava como policial no Departamento de Polícia de Charleston. Ele havia sido suspenso em 2004 depois de ser acusado de conduta sexual envolvendo uma menor no condado de Dorchester. Em novembro daquele ano, foi preso pela polícia de North Charleston sob acusação de praticar atos obscenos contra uma criança com menos de 16 anos. Posteriormente, foi liberado sob fiança.
Após desaparecer, Hiers foi incluído na lista dos 15 fugitivos mais procurados pelo Serviço de Marshals. As autoridades afirmam que ele teria passado anos escondido na China, utilizando o nome falso "David Williams".
Em 2018, ele foi localizado em Xangai depois que as autoridades receberam informações sobre seu paradeiro. O caso teria ganhado novo impulso após uma mulher na China reconhecer Hiers a partir de uma reportagem sobre a lista de fugitivos procurados.
O Serviço de Marshals informou que mantinha um mandado federal contra Hiers por fuga ilegal para evitar ser processado. Em julho, agentes americanos viajaram a Xangai, assumiram a custódia do ex-policial e o levaram de volta aos Estados Unidos.
Inicialmente, Hiers foi levado para Seattle, onde permaneceu sob custódia. Agora, foi transferido de volta para a Carolina do Sul para responder às acusações.
"Dan Hiers estava em uma posição de confiança pública, mas traiu essa confiança da pior maneira possível", afirmou Gadyaces S. Serralta, diretor do Serviço de Marshals dos EUA. Segundo ele, a inclusão do ex-policial na lista dos mais procurados tornou sua captura uma prioridade para a agência.
O caso de Hiers também foi apresentado ao longo dos anos nos programas televisivos "America's Most Wanted" e "The Hunt with John Walsh".
O xerife do condado de Dorchester, Sam Richardson, afirmou que a investigação nunca foi abandonada, mesmo depois de Hiers deixar o país.
"Nenhum distintivo, título ou posição coloca alguém acima da lei", disse Richardson, destacando que as autoridades esperam trabalhar com o Ministério Público para garantir o andamento do processo.
A operação que resultou no retorno de Hiers aos Estados Unidos contou com a participação de autoridades americanas e chinesas, incluindo o Ministério da Segurança Pública da China, o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado, o Departamento de Justiça e o FBI.
Hiers permanece detido no Hill-Finklea Detention Center enquanto aguarda o andamento dos processos.

Fonte: WCSC/WLBT