EUA encerram maior surto de ciclospora da história, mas origem da contaminação continua desconhecida
Quase 13 mil casos foram associados ao surto em 21 estados; autoridades acreditam que toda a alface recolhida já foi retirada do mercado
Autoridades de saúde dos Estados Unidos declararam encerrado, nesta sexta-feira, o maior surto de ciclosporíase já registrado no país. Apesar do fim do surto, a origem exata da contaminação que provocou milhares de casos ainda não foi identificada.
Segundo a Food and Drug Administration (FDA), as autoridades estão confiantes de que toda a alface-americana do tipo iceberg associada ao surto e retirada do mercado já não está mais disponível para consumo.
Quase 13 mil casos de ciclospora foram relacionados ao surto que atingiu 21 estados, segundo autoridades federais. O número representa a maior parte do aumento sem precedentes registrado neste ano na ocorrência da doença parasitária.
Desde 1º de maio, os Estados Unidos receberam notificações de quase 20 mil casos confirmados em laboratório, mais de 16 vezes o número registrado no mesmo período do ano passado. Além disso, mais de 6,1 mil casos suspeitos foram relatados.
O pior ano anterior para a doença no país havia sido 2019, quando cerca de 4,7 mil casos foram registrados em todo o território americano.
A ciclospora é um parasita microscópico que costuma provocar diarreia aquosa, muitas vezes acompanhada de evacuações frequentes e intensas. A doença, chamada ciclosporíase, é mais comum no fim da primavera e durante o verão.
O parasita é transmitido por matéria fecal humana, e uma das principais dúvidas ainda sem resposta é como o esgoto ou a água contaminada teria chegado aos alimentos em quantidade suficiente para provocar um surto dessa dimensão.
"A contaminação pode acontecer quando os produtos são cultivados em solo ou entram em contato com água contaminada", explicou Ellen Shumaker, diretora de extensão de um programa de segurança alimentar da North Carolina State University.
Michigan foi o estado mais afetado, concentrando o maior número de casos e as duas mortes registradas nos Estados Unidos associadas ao surto.
As investigações inicialmente apontaram para alface servida pelo Taco Bell. Posteriormente, autoridades federais concentraram as investigações na empresa Taylor Farms, que identificou a origem da alface e realizou um recall de produtos cultivados no centro do México.
O recall envolveu milhares de produtos de saladas embaladas que combinavam alface iceberg com outros vegetais. Os produtos foram distribuídos para grandes redes de restaurantes dos Estados Unidos, incluindo empresas do grupo Yum Brands, proprietário de Taco Bell, Pizza Hut e KFC.
A FDA informou que encerrou as inspeções presenciais e a coleta de amostras em produtores de alface iceberg e na unidade de processamento localizada no México. Algumas amostras recolhidas durante as inspeções ainda aguardam análise.
O surto também chamou atenção para outro problema: a redução das inspeções internacionais realizadas por autoridades americanas para identificar alimentos contaminados antes que eles cheguem ao mercado dos Estados Unidos.
Fonte: Click Orlando