Brasileira dona de clínica estética é condenada a 46 meses de prisão por aplicar Botox e preenchimentos falsificados
Mulher se passou por enfermeira, enganou mais de 900 clientes e recebeu mais de US$ 1 milhão por procedimentos realizados com produtos falsificados
Uma mulher brasileira, moradora de Massachusetts, foi condenada a quase quatro anos de prisão por realizar milhares de procedimentos estéticos com Botox e preenchimentos dérmicos falsificados, importados da China e do Brasil.
Rebecca Fadanelli, de 40 anos, foi sentenciada no dia 2 de setembro de 2026 a 46 meses de prisão, seguidos de dois anos de liberdade supervisionada. Ela também deverá pagar US$ 1.001.562 em restituição e mais US$ 1.001.562 em confisco.
Fadanelli era proprietária da Skin Beaute Med Spa, com unidades em Randolph e South Easton. Apesar de ser esteticista e não ter licença para aplicar injeções ou administrar medicamentos prescritos, ela realizava procedimentos com toxina botulínica e preenchimentos e dizia falsamente ser enfermeira licenciada.
Segundo as autoridades, ela afirmava utilizar produtos autênticos e aprovados pela FDA, como Botox, Sculptra, Restylane e Juvéderm. Na realidade, os produtos eram falsificados e muitos haviam sido importados da China e do Brasil.
Entre março de 2021 e junho de 2024, Fadanelli realizou mais de 2.700 procedimentos em mais de 900 clientes, que pagaram, juntos, mais de US$ 1 milhão.
Mesmo depois de autoridades federais apreenderem carregamentos dos produtos e alertarem que eles eram falsificados e não aprovados, ela continuou trabalhando. Segundo a investigação, chegou a usar nomes de outras pessoas e endereços diferentes para tentar evitar novas apreensões.
Durante buscas nas duas clínicas, em junho de 2024, agentes encontraram produtos falsificados. Também foi apreendida água bacteriostática usada para diluir Botox, que, em testes laboratoriais, continha uma bactéria capaz de causar infecções.
Clientes relataram consequências graves, incluindo inchaço intenso, infecções, paralisia e queda do rosto e dos olhos, visão dupla, problemas de visão, nódulos e cicatrizes. Alguns precisaram ser hospitalizados e passar por tratamentos adicionais.
Mesmo após ser presa, Fadanelli continuou realizando procedimentos. Em maio de 2025, enquanto estava em liberdade provisória, ela aplicou uma substância desconhecida em uma cliente dentro de sua própria casa.
Em abril de 2026, ela se declarou culpada de oito acusações relacionadas à importação, venda e distribuição de medicamentos e dispositivos falsificados.