Urbanização pode estar mudando o período de atividade de insetos polinizadores, aponta estudo
Pesquisa da Universidade da Flórida mostra que a atividade de algumas espécies começa e termina mais tarde em áreas mais modificadas pela ação humana
A expansão urbana e outras formas de ocupação humana podem estar alterando não apenas onde os insetos polinizadores vivem, mas também quando eles ficam ativos, segundo um estudo de pesquisadores da Universidade da Flórida.
A pesquisa, publicada na revista Royal Society Open Science, analisou mais de 80 mil registros enviados à plataforma iNaturalist. Os dados mostram que, em áreas mais modificadas pela ação humana, a atividade dos polinizadores começou, em média, 22 dias mais tarde e terminou cerca de 21 dias mais tarde do que em regiões menos alteradas.
Os pesquisadores esperavam que a urbanização prolongasse a temporada de atividade dos insetos. No entanto, os resultados indicaram principalmente uma mudança para períodos mais tardios, sem aumento significativo da duração da temporada.
O estudo analisou uma região entre o centro do Alabama e o centro de Nova York e levou em conta fatores como temperatura, chuva, localização geográfica e características das espécies.
Cada espécie reage de uma forma
A mudança não ocorreu da mesma maneira entre os polinizadores. Dos 52 tipos de insetos analisados, 19 apresentaram alterações em pelo menos um aspecto de sua atividade sazonal.
Algumas espécies passaram a ficar ativas mais cedo em áreas urbanizadas, enquanto outras começaram mais tarde. A duração dos períodos de atividade também variou. A pesquisa incluiu diferentes grupos de insetos, como borboletas, besouros e mariposas.
Segundo os pesquisadores, a alteração no calendário dos polinizadores pode afetar a relação entre esses insetos e as plantas. Os polinizadores dependem das flores para obter alimento, enquanto muitas plantas precisam deles para se reproduzir.
Se plantas e polinizadores passarem a seguir calendários diferentes, essa relação pode ser prejudicada.
Registros do público ajudam a ciência
O estudo também destaca a importância do iNaturalist, plataforma em que pessoas comuns podem registrar e compartilhar observações de animais e plantas.
Os mais de 80 mil registros permitiram aos pesquisadores analisar diferentes espécies em uma extensa área geográfica, algo que seria muito mais difícil de fazer apenas com pesquisas tradicionais.
Os cientistas afirmam que entender como a fauna reage à expansão das cidades será cada vez mais importante à medida que áreas naturais continuarem sendo transformadas pela atividade humana.
Fonte: Click Orlando