Execução de única mulher no corredor da morte do Tennessee é suspensa na última hora
Christa Pike, condenada pelo assassinato de uma colega quando tinha 18 anos, seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos
Uma corte federal de apelações suspendeu nesta quarta-feira (30), cerca de uma hora antes do horário previsto, a execução de Christa Pike, única mulher atualmente no corredor da morte do Tennessee.
Pike, de 50 anos, seria executada às 10h, no horário local, em Nashville. A Corte de Apelações do 6º Circuito dos Estados Unidos determinou uma suspensão temporária para analisar argumentos apresentados pela defesa, relacionados a alegações de abusos sexuais sofridos por Pike durante a infância.
Os advogados tentam reabrir uma etapa do processo para apresentar informações sobre o histórico de abuso físico e sexual da condenada. O estado reconheceu, durante uma audiência realizada em agosto, que Pike foi vítima de abusos.
A corte afirmou que precisava de tempo para analisar os argumentos apresentados pelas partes antes de tomar uma decisão definitiva. Ainda não está claro por quanto tempo a execução permanecerá suspensa.
Crime ocorreu quando Pike tinha 18 anos
Pike foi condenada à pena de morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Segundo a polícia, Pike e dois outros adolescentes atraíram Slemmer, colega de um programa de treinamento profissional, para uma antiga usina de vapor próxima à Universidade do Tennessee e a atacaram.
O caso ganhou grande repercussão depois que investigadores afirmaram ter encontrado elementos associados ao ocultismo na cena do crime.
Pike não contesta sua participação no assassinato. Sua defesa, porém, afirma que o júri que determinou a pena de morte não conhecia o histórico de abusos e negligência que marcou sua infância.
Um dos outros envolvidos, Tadaryl Shipp, tinha 17 anos na época e recebeu prisão perpétua por ser menor de idade. A terceira participante, Shadolla Peterson, que tinha 18 anos, recebeu liberdade condicional em troca de sua cooperação com as autoridades.
Governador e Suprema Corte haviam negado pedidos
Antes da decisão da corte federal, o governador do Tennessee, Bill Lee, havia decidido manter a sentença de morte após analisar o pedido de clemência. A Suprema Corte dos EUA também rejeitou, na terça-feira, o pedido da defesa para interromper a execução.
Os advogados de Pike argumentaram ainda que o protocolo de injeção letal poderia provocar sofrimento psicológico intenso devido ao transtorno de estresse pós-traumático que, segundo eles, está relacionado aos abusos sofridos desde a infância.
O estado não contesta que Pike tenha sofrido abusos, mas argumenta que não está comprovado que o procedimento de execução provocaria sofrimento psicológico adicional suficiente para justificar a suspensão da pena.
Se realizada, a execução de Pike seria a primeira de uma mulher pelo estado do Tennessee em mais de dois séculos, segundo registros históricos.
Pike está no corredor da morte há mais de 30 anos. Em uma carta divulgada antes da suspensão, ela afirmou que não tinha medo de morrer, mas estava apreensiva com o processo.
A mãe de Slemmer, May Martinez, continua defendendo a execução e afirma que essa seria a forma de obter justiça pela morte da filha.
A defesa de Pike, por outro lado, sustenta que o histórico de traumas e abusos deve ser considerado na avaliação da sentença. Uma psicóloga especializada em trauma que avaliou Pike concluiu que os abusos sofridos ao longo da infância tiveram consequências profundas em sua saúde psicológica.
Agora, a execução permanece suspensa enquanto a corte federal analisa os argumentos apresentados pela defesa.
Fonte: NBC