EUA aprovam novo remédio para Parkinson que age em receptores inéditos
Tavapadon é o primeiro medicamento a ativar seletivamente receptores de dopamina D1 e D5; estudo mostrou ganho de 1,1 hora diária de boa mobilidade em relação ao placebo
A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, aprovou o tavapadon, novo medicamento oral para o tratamento da doença de Parkinson em adultos. Vendido como Juvmo, pela farmacêutica AbbVie, o remédio poderá ser usado sozinho ou em combinação com a levodopa, principal medicamento utilizado contra a doença.
A novidade está na forma como o tavapadon atua no cérebro. O medicamento é o primeiro a estimular seletivamente os receptores de dopamina D1 e D5, enquanto medicamentos semelhantes, como pramipexol e rotigotina, atuam principalmente nos receptores D2 e D3.
A expectativa é que o novo mecanismo ajude a controlar os problemas de movimento com menos efeitos colaterais relacionados a alguns tratamentos atuais. No entanto, especialistas ressaltam que os estudos realizados até agora ainda não comprovam uma vantagem de segurança em relação aos medicamentos já disponíveis.
Mais de uma hora adicional de mobilidade
Um estudo de fase 3 publicado na revista JAMA Neurology acompanhou 507 pessoas que já utilizavam levodopa e passavam, em média, cinco horas e meia por dia no chamado estado “off”, quando os sintomas do Parkinson voltam a aparecer.
Após 26 semanas, os pacientes que receberam tavapadon tiveram 1,7 hora a mais de boa mobilidade por dia, contra 0,6 hora no grupo que recebeu placebo. A diferença foi de aproximadamente 1,1 hora diária.
Segundo especialistas, esse período adicional pode representar uma diferença significativa na rotina, permitindo que o paciente caminhe, trabalhe, saia de casa ou realize tarefas sozinho por mais tempo.
Apesar disso, o ganho observado é semelhante ao proporcionado por outros medicamentos utilizados junto com a levodopa. Ainda não há evidências de que o tavapadon produza um efeito clínico excepcional.
Efeitos colaterais exigem atenção
No estudo, 71,7% dos pacientes que receberam o medicamento relataram algum efeito adverso, contra 55,1% no grupo placebo. Os mais frequentes foram náusea, movimentos involuntários e tontura.
Cerca de 17% dos participantes interromperam o tratamento por causa dos efeitos colaterais. Outro ponto de atenção foi a pressão arterial: pacientes tratados com tavapadon apresentaram queda média de 8,6 mmHg na pressão ao ficar em pé, e episódios de hipotensão postural foram mais frequentes que no grupo placebo.
Também foram registrados comportamentos compulsivos, embora a diferença em relação ao placebo tenha sido pequena. Especialistas ressaltam que estudos mais longos serão necessários para determinar se o risco é realmente menor que o observado com medicamentos que atuam nos receptores D2 e D3.
Remédio controla sintomas, mas não interrompe a doença
Assim como os tratamentos disponíveis atualmente, o tavapadon não impede a progressão do Parkinson. A doença continua provocando a perda gradual dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, enquanto o medicamento busca melhorar o funcionamento dos circuitos que ainda estão preservados.
O tavapadon deve chegar às farmácias americanas em outubro. No Brasil, ainda não há previsão de registro do medicamento pela Anvisa.
Especialistas consideram a aprovação uma nova opção para o controle dos sintomas, mas destacam que ainda faltam estudos de longo prazo e comparações diretas com os tratamentos existentes para determinar se o novo medicamento oferece vantagens concretas aos pacientes.
Fonte: G1