Pais de crianças que sofreram acidentes com motos elétricas são processados na Califórnia

Promotoria de Orange County afirma que pelo menos 12 responsáveis foram acusados desde janeiro por permitir que menores pilotassem motos elétricas ilegalmente. Casos incluem acidentes graves, perseguições policiais e a morte de um adolescente.

Por Lara Barth

Magistrados receberam ameaças

Autoridades da Califórnia estão responsabilizando pais e responsáveis que permitem que seus filhos pilotem motos elétricas de alta velocidade sem autorização. A Promotoria de Orange County anunciou que pelo menos 12 adultos foram acusados desde janeiro por colocar menores em risco ao permitir o uso ilegal desses veículos.

Entre os casos citados está o de um menino de 11 anos que sofreu fraturas e uma hemorragia arterial após colidir com uma caminhonete em Yorba Linda. Segundo a promotoria, ele pilotava uma moto elétrica capaz de atingir mais de 53 km/h. O pai, Alex Li, responde por uma acusação de negligência infantil, classificada como contravenção.

Em outro episódio, Maria Roehling foi acusada de crime grave de negligência infantil e de permitir que um menor de 18 anos dirigisse um veículo motorizado sem habilitação. De acordo com a promotoria, seu filho, de 9 anos, pilotava uma moto elétrica que podia ultrapassar 75 km/h quando foi atingido por uma caminhonete, também em Yorba Linda.

Outros responsáveis foram acusados após episódios envolvendo perseguições policiais. Dan Rezmives, pai de um menino de 12 anos, responde por negligência infantil e por contribuir para a delinquência de menor, além de uma infração relacionada à condução sem habilitação. Segundo as autoridades, um policial flagrou o garoto pilotando uma moto elétrica em uma rua da cidade. Pai e filho já haviam sido alertados de que a prática era ilegal.

Hulin Guo e Xiaomin Wang também foram acusados após o filho, de 17 anos, supostamente fugir da polícia em Newport Beach enquanto pilotava a mais de 64 km/h. Já Tuan Nguyen responde por negligência infantil depois que seu filho, de 13 anos, teria iniciado uma perseguição policial e colidido com uma viatura ao tentar escapar.

A promotoria também informou que Jose De Jesus Ramirezbarragan foi acusado de contribuir para a delinquência de menor por supostamente permitir que seu irmão, de 15 anos, utilizasse uma moto elétrica. Segundo as autoridades, o adolescente teria fugido da polícia em alta velocidade, avançado sinais vermelhos e quase atingido vários carros antes de perder o controle e bater em arbustos.

“Não queremos ter que processar os pais — queremos salvar a vida das crianças”, declarou o promotor de Orange County, Todd Spitzer. Ele afirmou que as autoridades vão responsabilizar os responsáveis quando permitirem que menores utilizem veículos perigosos e ilegais.

Em abril, a promotoria anunciou outro caso envolvendo uma mãe acusada após seu filho, de 14 anos, supostamente atropelar um veterano de guerra de 81 anos enquanto pilotava uma moto elétrica. Após a morte do homem, as acusações contra ela foram elevadas para homicídio culposo involuntário. Até o momento da publicação da reportagem original, a mãe ainda não havia apresentado sua declaração de culpa ou inocência.

A promotoria citou dados do Sistema Integrado de Registros de Trânsito da Califórnia segundo os quais crianças de 11 a 14 anos representam 61,7% dos acidentes com motos elétricas desse tipo. A legislação estadual proíbe menores de 16 anos de pilotar esses veículos.

As motos elétricas, conhecidas como e-motos, são veículos de duas rodas movidos a motor elétrico e destinados ao uso fora de estradas convencionais, sem pedais. Elas se diferenciam das bicicletas elétricas, que possuem pedais e motores de até 750 watts, conforme a Patrulha Rodoviária da Califórnia.

Até a publicação da reportagem original, a ABC News informou que não havia identificado advogados dos acusados.

Fonte: ABC