Germes resistentes a medicamentos causam mais de 50 mil mortes por ano nos EUA, alerta CDC

Relatório aponta cerca de 9,7 milhões de infecções anuais por bactérias e fungos resistentes a tratamentos. Agência destaca ameaças em hospitais e o avanço de infecções resistentes na comunidade.

Por Lara Barth

Medicamentos

Germes resistentes a medicamentos provocam cerca de 9,7 milhões de infecções e 50,8 mil mortes por ano nos Estados Unidos, segundo um relatório divulgado na terça-feira pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A agência alerta que a resistência antimicrobiana representa uma ameaça crescente à saúde pública e reduz as opções de tratamento disponíveis.
O problema ocorre quando bactérias e fungos desenvolvem mecanismos para sobreviver aos medicamentos usados para combatê-los. Com isso, infecções que normalmente poderiam ser tratadas passam a exigir terapias mais complexas, aumentando o risco de complicações e de morte.
Quais são os germes mais preocupantes?
O CDC classifica os agentes resistentes em três níveis de ameaça: urgente, grave e preocupante. Quatro estão na categoria mais elevada.
Entre eles está o fungo Candida auris, capaz de provocar desde infecções de pele até infecções graves na corrente sanguínea. Os casos registrados aumentaram mais de 50% entre 2022 e 2023. O fungo afeta principalmente pacientes já debilitados em hospitais e instituições de longa permanência, podendo se espalhar por equipamentos médicos e superfícies. Algumas pessoas também podem carregá-lo na pele sem apresentar sintomas.
Outro agente é a Neisseria gonorrhoeae, bactéria responsável pela gonorreia. O CDC estima que cerca de 787 mil infecções resistentes tenham ocorrido em 2023. Sem tratamento, a doença pode causar complicações, incluindo doença inflamatória pélvica e infertilidade.
A lista também inclui as enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos, grupo que abrange bactérias intestinais como a E. coli, e o Acinetobacter resistente a esses antibióticos. Os carbapenêmicos estão entre os medicamentos utilizados no tratamento de infecções bacterianas graves.
Em 2023, as enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos provocaram cerca de 14.878 infecções em pacientes hospitalizados e 1.252 mortes, de acordo com o relatório. A resistência pode deixar médicos com poucas alternativas eficazes e prolongar internações.
Resistência também avança fora dos hospitais
O CDC elevou a classificação do meningococo resistente a medicamentos para a categoria de ameaça grave. A bactéria pode causar meningite e infecções na corrente sanguínea e se espalhar em ambientes comunitários por meio do contato próximo, como beijos, compartilhamento de bebidas e convivência em alojamentos.
A agência também acompanha seis outros agentes cuja dimensão do impacto ainda não está totalmente esclarecida. Entre eles está a micose de pele resistente a medicamentos antifúngicos convencionais.
Segundo o CDC, o uso inadequado de cremes antifúngicos vendidos sem receita e de combinações de antifúngicos com corticoides pode contribuir para o desenvolvimento de resistência.
Prevenção pode reduzir os riscos
O relatório também aponta avanços no combate à infecção intestinal causada pela bactéria Clostridioides difficile (C. diff), frequentemente associada ao uso de antibióticos. O problema passou da categoria de ameaça urgente para grave após a queda de 21% nas taxas de infecção entre 2018 e 2020. Desde então, os índices permaneceram estáveis.
Apesar da melhora, a bactéria ainda provocou cerca de 412.504 infecções em 2023. Pessoas com 65 anos ou mais apresentam taxas de infecção entre 4,5 e cinco vezes superiores às dos mais jovens.
Infecções adquiridas em hospitais e outros serviços de saúde também representaram quase US$ 12 bilhões em custos médicos em 2023, segundo o relatório.
Para reduzir os riscos, o CDC recomenda usar antibióticos somente com prescrição médica, já que esses medicamentos não funcionam contra vírus responsáveis por doenças como resfriados e gripe. Lavar as mãos regularmente, manter as vacinas em dia e adotar medidas para evitar a transmissão de infecções também são ações importantes.
Especialistas ressaltam que o uso criterioso dos medicamentos e a prevenção de infecções ajudam a preservar a eficácia dos tratamentos e a reduzir a disseminação de germes resistentes.

Fonte: ABC