Trabalhador rural morre sob forte calor; Miami-Dade aprova proteção de trabalhadores ao ar livre

Por Arlaine Castro

A medida exige um programa de segurança de educação dos trabalhadores e seus supervisores sobre o risco de exposição ao calor, o direito a um descanso remunerado de 10 minutos e intervalos para tomar água à sombra.

Um trabalhador rural do sul da Flórida morreu devido à onda de calor histórica no sul da Flórida. Foi a segunda morte em duas semanas no condado, que aprovou na terça-feira, 18, medidas de proteção de trabalhadores ao ar livre.

Efrain Lopez Garcia, de 30 anos, foi encontrado em um campo agrícola em Homestead, no condado de Miami-Dade, em plena jornada de trabalho. Segundo comentários de seus familiares, conforme relatado pela Univisión, ele foi encontrado por seus companheiros debaixo de uma árvore “e já sem vida” no dia 6 de julho.

Um outro trabalhador rural também é suspeito de ter morrido devido à exposição ao calor extremo, somando duas mortes nas últimas semanas.

Na segunda-feira, 17, o índice de calor em Miami superou 100°F por 37 dias consecutivos e 106°F por 13 dias consecutivos.

As tragédias alimentaram protestos do lado de fora do prédio do governo do condado de Miami-Dade na terça-feira, pedindo medidas para proteger os trabalhadores externos expostos ao calor perigoso.

No mesmo dia, os comissários do condado aprovaram por unanimidade uma medida preliminar para adotar um padrão de calor para os trabalhadores.

A medida exige um programa de segurança de educação dos trabalhadores e seus supervisores sobre o risco de exposição ao calor, o direito a um descanso remunerado de 10 minutos e intervalos para tomar água à sombra a cada duas horas. Um novo escritório do condado também será aberto para fazer cumprir essas proteções.

“Será a primeira lei desse tipo na Flórida e será a lei mais forte se for aprovada em todo o país”, disse a prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava.

A onda de calor de uma semana afetando uma vasta área dos EUA foi particularmente notável em uma cidade que não foi objeto de muitas manchetes de clima extremo na semana passada: Miami.

Segundo o meteorologista Brian McNoldy, pesquisador da Universidade de Miami, a cidade está no meio de sua pior onda de calor já registrada. "Nada antes chega perto" da gravidade do evento de calor extremo em andamento, disse McNoldy à Axios por e-mail.

As temperaturas oceânicas ao redor do sul da Flórida e Florida Keys atingiram níveis sem precedentes, influenciando as condições em terra.

Existem mais de 300 mil trabalhadores ao ar livre no Condado de Miami-Dade, embora este projeto de lei cubra apenas os cerca de 80 mil que trabalham na construção e na agricultura. Trabalhadores ao ar livre têm 35 vezes mais chances de morrer de doenças relacionadas ao calor do que a população em geral. Em Miami-Dade, o calor mata 34 pessoas por ano, em média, e hospitaliza outras centenas.

Com informações do Miami Herald e Local 10.