Sul da Flórida enfrenta temperaturas mais baixas em mais de 15 anos
Massa de ar ártico avança após tempestade histórica nos EUA e pode levar termômetros a níveis raríssimos em Miami e Fort Lauderdale
O sul da Flórida — incluindo cidades como Miami e Fort Lauderdale — começa a sentir, a partir da noite desta segunda-feira, os efeitos de uma forte massa de ar frio, resultado da mesma configuração atmosférica que provocou uma histórica tempestade de inverno em grande parte do centro e do leste dos Estados Unidos.
A presença de neve e gelo em extensas áreas mais ao norte reforçou uma camada densa de ar frio próxima à superfície, facilitando o avanço desse frio incomum para regiões mais ao sul, incluindo a Flórida. O fenômeno está associado ao deslocamento do ar ártico para latitudes onde ele raramente chega com tanta intensidade.
Nos próximos dias, cavados profundos na corrente de jato ao longo da Costa Leste devem dominar o padrão meteorológico. Essas “ondulações” funcionam como corredores que canalizam repetidamente o ar polar para o sudeste do país. Com isso, a região não enfrentará apenas uma frente fria isolada, mas várias ondas sucessivas de ar frio, mantendo o clima mais seco e gelado durante grande parte da semana.
Entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça, as temperaturas mínimas devem cair para a casa dos 50°F (cerca de 10 °C), com áreas mais afastadas e do interior registrando valores próximos dos 40°F (em torno de 4 °C). As manhãs de sexta e sábado devem continuar frias, com mínimas na faixa dos 50°F, antes de uma queda ainda mais acentuada no fim da semana.
Modelos meteorológicos indicam que, no próximo fim de semana, uma massa de ar ártico ainda mais intensa pode avançar sobre a região, derrubando as temperaturas noturnas para a casa dos 30°F (próximo de 0 °C) em áreas do interior. As madrugadas mais frias são esperadas entre domingo e segunda-feira.
Temperaturas nessa faixa são extremamente raras no sul da Flórida. O recorde histórico de Fort Lauderdale é de 28°F (-2 °C), registrado em janeiro de 1977. Em Miami, a última vez que os termômetros chegaram a 36°F (2 °C) foi em dezembro de 2010. As projeções atuais para o início de fevereiro se aproximam desses patamares, evidenciando o caráter excepcional da onda de frio.
O Centro de Previsão Climática dos EUA segue apontando uma alta probabilidade de temperaturas muito abaixo da média na região pelos próximos dez dias, reforçando a expectativa de um fim de janeiro e início de fevereiro atipicamente frios.
Especialistas ressaltam que episódios como esse não contradizem as mudanças climáticas. Pelo contrário: o aquecimento global pode aumentar a variabilidade do clima e favorecer extremos mais intensos. Uma atmosfera mais quente retém mais umidade, que, ao interagir com o ar ártico, pode intensificar sistemas de inverno — como ocorreu nas recentes tempestades de neve e gelo pelo país.
Fonte: NBC