Chat de WhatsApp com jovens republicanos gera investigação criminal e pressão por renúncia em universidade da Flórida

Mensagens com teor racista, antissemita e violento teriam sido compartilhadas em grupo que incluía estudantes ligados a organizações conservadoras da FIU

Por Lara Barth

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Um grupo de WhatsApp supostamente formado por jovens republicanos provocou indignação na Florida International University (FIU) e levou à abertura de uma investigação criminal, além de pedidos de renúncia contra um dirigente do Partido Republicano no condado de Miami-Dade.

O caso veio à tona após o site The Floridian publicar capturas de tela do grupo, que conteriam mensagens racistas, antissemitas e com conteúdo violento.

Segundo a reportagem, entre os participantes do grupo estariam Abel Carvajal, secretário do Partido Republicano de Miami-Dade, além de estudantes ligados ao College Republicans da FIU e ao capítulo universitário da organização conservadora Turning Point USA.

Diante da repercussão, o presidente do Partido Republicano de Miami-Dade, Kevin J. Cooper, afirmou que a maioria do conselho da sigla votou para solicitar a renúncia de Carvajal e que um processo formal para removê-lo do cargo já foi iniciado.

Carvajal disse ao Miami Herald que criou o grupo após a morte do ativista conservador Charlie Kirk. Ele afirmou ainda que não tinha visto grande parte das mensagens até ser procurado pelo jornal e disse ter ficado “chocado” com alguns conteúdos. O Herald informou ter confirmado a autenticidade do chat com duas pessoas que participavam do grupo.

A polêmica também gerou reações dentro do próprio Partido Republicano. O deputado estadual Juan Porras, republicano de Miami-Dade, afirmou que o caso exige responsabilização.

“É preciso investir mais na educação dos jovens. Acho que muitos estão sendo influenciados por indivíduos prejudiciais que espalham propaganda financiada por fontes externas”, declarou.

Porras disse que parlamentares republicanos em Tallahassee discutem o caso e defendem que Carvajal deixe o cargo. Segundo ele, outras medidas podem ser adotadas caso isso não ocorra.

Democratas também criticaram o episódio. Para Justin Mendoza-Routt, presidente dos Young Democrats de Miami-Dade, o caso reflete um problema recorrente dentro da base política ligada ao movimento MAGA.

“Eles nem estão mais tentando esconder. Estão dizendo em voz alta aquilo que antes ficava implícito”, afirmou.

A presidente da FIU, Jeanette M. Nuñez, confirmou que o caso está sendo investigado pelas autoridades.

“As alegações estão sendo levadas muito a sério. A conduta relatada está sendo investigada pelo Departamento de Polícia da FIU em coordenação com autoridades locais, estaduais e federais”, disse em nota.

Nuñez afirmou ainda que a universidade não tolera violência, discurso de ódio, discriminação, assédio, racismo ou antissemitismo.

O presidente do FIU College Republicans também se manifestou, condenando o conteúdo divulgado e afirmando que o grupo de mensagens não representa a organização.

Fonte: NBC