Documento vazado aponta US$ 149 milhões destinados a forças policiais da Flórida para ações migratórias
Recursos estariam ligados ao programa 287(g), que amplia atuação de policiais locais na fiscalização de imigrantes
Um documento financeiro atribuído ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) indica que o governo Donald Trump destinou cerca de US$ 149 milhões a dezenas de agências policiais da Flórida para participação em operações de imigração. O material, obtido por um jornalista independente, levanta dúvidas sobre se os valores já foram pagos ou ainda estão em fase de planejamento.
Segundo o registro, ao menos 53 agências estaduais e locais da Flórida aparecem como beneficiárias entre janeiro de 2025 e março de 2026. O estado concentra o maior volume de recursos no país dentro do programa federal 287(g), que permite que policiais locais atuem em funções limitadas de fiscalização migratória — uma iniciativa alvo de críticas.
A maior parte dos recursos estaria destinada à Patrulha Rodoviária da Flórida (FHP), com mais de US$ 100 milhões listados. Entre os valores, há registros de US$ 13,6 milhões e US$ 1,1 milhão com datas definidas, além de cerca de US$ 89 milhões ainda sem previsão (“TBD”). Outras agências incluem a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem (US$ 5,5 milhões) e o Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (US$ 3,8 milhões).
O documento também aponta cerca de US$ 47,8 milhões com datas específicas de repasse, sendo aproximadamente 75% destinados à compra de equipamentos. Há ainda verbas para transporte, salários, bônus e incentivos financeiros a agências participantes.
Autoridades federais não confirmaram oficialmente os dados. O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, não respondeu aos questionamentos sobre a veracidade ou o status dos valores.
A expansão do programa 287(g) tem sido uma das principais estratégias do governo Trump para fortalecer a política de deportações em massa, contando com apoio de forças policiais locais. Na Flórida, mais de 280 agências participam do programa, com centenas de acordos firmados.
Enquanto o governo defende que a iniciativa aumenta a segurança pública, críticos afirmam que ela pode gerar desconfiança entre imigrantes e autoridades, além de riscos de abordagens discriminatórias. Casos recentes de detenções equivocadas de cidadãos americanos também reacenderam o debate sobre possíveis abusos.
Fonte: Miami Herald