Quarta prisão amplia escândalo da "Legacy Imigra" em Orlando
Autoridades acusam grupo de operar falso escritório de imigração que teria arrecadado mais de US$ 20 milhões; testemunho obtido pela Gazeta Brazilian News revela bastidores da operação
Uma quarta prisão no caso envolvendo a suposta empresa de imigração “Legacy Imigra” amplia o escândalo investigado pelas autoridades do Condado de Orange, na Flórida. Ao todo, quatro pessoas — Vagner De Almeida, Juliana Colucci, Ronaldo De Campos e Lucas Felipe Trindade Silva — foram detidas sob acusações de extorsão e fraude, em um esquema que teria explorado imigrantes em situação vulnerável.
De acordo com o xerife John Mina, o grupo operava um escritório que se apresentava como especializado em serviços imigratórios, prometendo ajudar indocumentados a obter status legal nos Estados Unidos. No entanto, as investigações apontam que não havia advogados licenciados envolvidos, e que o negócio funcionava, inclusive, a partir de um escritório fechado em Orlando.
As autoridades afirmam que os suspeitos utilizavam “manipulação, fraude, mentiras e extorsão” para manter o esquema, que pode ter movimentado mais de US$ 20 milhões. Documentos de imigração das vítimas eram retidos até o pagamento de taxas que chegavam a milhares de dólares.
Até o momento, pelo menos sete vítimas formalizaram denúncias, relatando prejuízos entre US$ 2.500 e US$ 26 mil. No entanto, investigadores acreditam que o número real seja muito maior, já que muitos imigrantes temem denunciar por receio de deportação. A polícia informou ainda que as vítimas podem ter direito a proteções migratórias, como o visto U, concedido a pessoas que colaboram com investigações criminais.
Um testemunho obtido pela Gazeta Brazilian News reforça as suspeitas sobre a dimensão da operação. Um trabalhador que afirma ter sido contratado pela empresa em 13 de abril de 2026 relatou que a estrutura do local impressionava inicialmente, mas que, na prática, havia indícios de irregularidades.
Segundo ele, a empresa utilizava diferentes nomes, como “Invicta Consulting”, “B. Consulting” e “Global”, além de apresentar um volume elevado de atendimentos. Em apenas cinco dias, entre 13 e 17 de abril, teriam sido abertos cerca de 246 processos, incluindo renovação de passaportes, ajustes de status, vistos EB-3, processos para o Canadá e até serviços fiscais.
O denunciante afirma ter se sentido enganado após perceber inconsistências entre o que foi apresentado na entrevista de trabalho e a realidade da operação. Ele também relatou mudanças repentinas no funcionamento da empresa, que teria anunciado trabalho remoto antes de suspender as atividades após as prisões.
Temendo possíveis implicações legais, o trabalhador disse que pretende buscar orientação com um advogado de imigração. Ele pediu anonimato, mas autorizou o compartilhamento das informações como forma de alertar a comunidade brasileira.
As investigações continuam, e as autoridades reforçam o apelo para que outras possíveis vítimas procurem a polícia.