Policial brasileira atua em caso Legacy Imigra e ajuda a identificar vítimas de esquema milionário nos EUA

Investigação aponta que três dos quatro brasileiros presos estavam em situação migratória irregular; grupo é acusado de extorquir mais de US$ 20 milhões de imigrantes

Por Lara Barth

Da esquerda para a direito: Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci, Ronaldo de Campos e Lucas Felipe Trindade Silva

O caso envolvendo a empresa Legacy Imigra, investigada por aplicar golpes contra imigrantes nos Estados Unidos, ganhou destaque também pela atuação de uma policial brasileira no processo. A Deputy Sheriff Carla Cezario, do Orange County Sheriff’s Office, integra a investigação e está diretamente envolvida na identificação de possíveis vítimas do esquema.

Quatro brasileiros foram presos na Flórida acusados de participação em uma organização criminosa que se passava por uma empresa de serviços de imigração. Segundo as autoridades, três dos quatro detidos estavam em situação migratória irregular no país. Os suspeitos foram identificados como Vagner Soares de Almeida, apontado como fundador da Legacy Imigra, Juliana Colucci, Ronaldo de Campos e Lucas Felipe Trindade Silva.

De acordo com a polícia, o grupo é investigado por extorsão, fraude organizada e exercício ilegal da advocacia. As autoridades estimam que mais de US$ 20 milhões tenham sido obtidos de forma criminosa, principalmente de imigrantes brasileiros que buscavam regularizar sua situação nos Estados Unidos.

As investigações começaram em setembro de 2025, após denúncias encaminhadas por um advogado ligado à Ordem dos Advogados da Flórida, que recebeu diversas reclamações sobre a atuação da empresa. Segundo o xerife John Mina, a Legacy Imigra operava com base em “manipulação, mentiras e extorsão”, enganando clientes ao se apresentar falsamente como um escritório qualificado de imigração.

Relatos de vítimas indicam que, além de cobrarem valores altos pelos supostos serviços — que variavam entre US$ 2.500 e US$ 26 mil —, os suspeitos retinham documentos importantes e exigiam pagamentos adicionais para devolvê-los. Até o momento, ao menos sete vítimas foram oficialmente identificadas, mas a polícia acredita que o número real pode chegar a centenas.

Nesse contexto, a atuação da brasileira Carla Cezario tem sido fundamental para ampliar o alcance da investigação. Em comunicado, ela informou que está disponível para ouvir vítimas e testemunhas, destacando que todas as informações serão tratadas com respeito e profissionalismo. A policial também reforçou que os valores recuperados poderão fazer parte de um processo de restituição dentro do sistema de justiça criminal da Flórida.

As autoridades não descartam novas prisões à medida que a investigação avança e incentivam que possíveis vítimas procurem a polícia para colaborar com o caso.