Vendas de casas e condomínios em Miami-Dade crescem pelo sétimo mês consecutivo

Relatório aponta mercado favorável a vendedores, com alta nas transações e forte presença de compradores de alto poder aquisitivo

Por Lara Barth

Venda de imóveis nos EUA caiu em agosto

As vendas de casas e condomínios em Miami-Dade registraram crescimento pelo sétimo mês consecutivo, segundo um relatório divulgado em março pela Associação de Corretores de Imóveis de Miami. O cenário atual é considerado favorável para vendedores, impulsionado pela alta demanda e pelo perfil dos compradores.

De acordo com o levantamento, o total de vendas em março aumentou 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Um dos destaques foi o crescimento expressivo nas negociações de imóveis de alto padrão. Em apenas um ano, as vendas de casas unifamiliares avaliadas em mais de US$ 1 milhão subiram 19,83%.

O mercado tem atraído compradores de diversas regiões, incluindo Nova York, outras partes dos Estados Unidos e até do exterior. Além disso, muitos desses negócios estão sendo fechados à vista. Segundo o relatório, 82% das vendas de condomínios acima de US$ 1 milhão em 2025 foram realizadas sem financiamento.

Para o proprietário médio, o cenário também é favorável, mas com particularidades. Segundo o corretor comercial Bryan Gorrita, muitos donos de imóveis possuem alto nível de patrimônio acumulado, o que reduz a pressão para vender rapidamente ou baixar preços. Caso não consigam o valor desejado, muitos optam por retirar o imóvel do mercado, alugá-lo ou aguardar melhores condições.

Essa postura contribui para a redução da oferta. O número total de imóveis disponíveis caiu pelo segundo mês seguido, com queda de 7,9% nas listagens ativas em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Enquanto isso, os preços seguem em alta. O valor médio de uma casa unifamiliar em Miami-Dade chegou a cerca de US$ 674 mil. O aumento dos preços, aliado às taxas de juros mais elevadas, tem impactado o comportamento dos compradores.

Segundo Gorrita, muitos consumidores estão encontrando dificuldades para arcar com os custos de financiamento e, por isso, estão mais sensíveis aos preços. Como alternativa, têm optado pelo aluguel, que atualmente apresenta maior acessibilidade.

Ainda assim, o mercado de locação mostra sinais de estabilidade, com valores se mantendo estáveis em algumas regiões e registrando leves quedas em outras, sem grandes recuos.

Para o futuro, a tendência é de valorização contínua das casas unifamiliares, consideradas as propriedades mais desejadas na região. O avanço de empreendimentos verticais, especialmente nas áreas mais próximas ao litoral, pode aumentar ainda mais o interesse por esse tipo de imóvel.

Fatores externos também devem influenciar o mercado, como eventos geopolíticos no Oriente Médio, políticas econômicas em outros estados americanos e a migração de executivos para Miami. Esses elementos tendem a atrair diferentes perfis de compradores e impactar tanto o volume de transações quanto os preços na região.

Fonte: NBC