Viúva processa OpenAI e acusa ChatGPT de ajudar a planejar ataque em universidade da Flórida
Ação judicial afirma que inteligência artificial teria orientado atirador sobre local, horário e armamento usados em massacre na Florida State University
A viúva de uma das vítimas fatais do ataque a tiros ocorrido na Florida State University (FSU), em 2025, entrou com um processo contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, acusando a plataforma de inteligência artificial de ter contribuído para o planejamento do massacre.
Segundo promotores do caso, há indícios de que o ChatGPT teria fornecido ao atirador Phoenix Ikner informações sobre qual local e horário permitiriam atingir o maior número possível de vítimas, além de orientações sobre tipos de armas, munições e uso de armamento em curta distância.
O ataque aconteceu no campus da universidade, em Tallahassee, capital da Flórida, e deixou dois mortos e seis feridos. Uma das vítimas fatais foi Tiru Chabba, marido de Vandana Joshi, autora da ação judicial.
“OpenAI sabia que isso poderia acontecer. Já aconteceu antes e era apenas uma questão de tempo até acontecer novamente”, afirmou Joshi em comunicado divulgado nesta segunda-feira.
A OpenAI negou qualquer responsabilidade pelo crime. Em nota enviada à Associated Press, o porta-voz da empresa, Drew Pusateri, declarou que o ChatGPT apenas forneceu respostas factuais baseadas em informações amplamente disponíveis na internet e que o sistema “não incentivou nem promoveu atividades ilegais ou prejudiciais”.
O processo foi protocolado no domingo em um tribunal federal.
Phoenix Ikner responde a duas acusações de homicídio em primeiro grau e várias tentativas de homicídio. Os promotores informaram que pretendem pedir a pena de morte. O acusado se declarou inocente.
Paralelamente, em abril, a procuradoria-geral da Flórida anunciou uma rara investigação criminal envolvendo o ChatGPT para apurar se a ferramenta ofereceu conselhos ao atirador antes do atentado.
Em nova declaração divulgada por seu advogado, Joshi acusou a empresa de priorizar lucros em detrimento da segurança pública. “A OpenAI colocou seus lucros acima da nossa segurança, e isso matou meu marido. A empresa precisa ser responsabilizada antes que outra família passe pela mesma tragédia”, disse.
Nos últimos anos, empresas de tecnologia e inteligência artificial vêm enfrentando uma série de ações judiciais relacionadas aos impactos de chatbots e redes sociais na saúde mental de usuários.
Em março, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis por danos causados a crianças usuárias de suas plataformas. Já no Novo México, outro júri concluiu que a Meta sabia dos prejuízos à saúde mental infantil e ocultou informações sobre exploração sexual de menores em seus serviços.
Fonte: NBC