Flórida aparece em último lugar em leitura nos EUA em meio à "recessão de aprendizagem", aponta relatório
Estudo de Stanford e Harvard mostra queda nacional no desempenho escolar; distritos de Miami-Dade e Broward contestam impacto local dos dados
Um novo relatório educacional divulgado por pesquisadores das universidades de Stanford e Harvard aponta que os índices de leitura de estudantes americanos vêm caindo de forma acentuada na última década — e a Flórida aparece na última colocação nacional no desempenho em leitura.
O estudo, chamado *Education Scorecard*, analisou dados de alunos do 3º ao 8º ano em 35 estados americanos e concluiu que 83% dos distritos escolares do país registraram queda no desempenho em leitura e matemática nos últimos dez anos. Os pesquisadores classificaram o cenário como uma “recessão de aprendizagem”.
Apesar do resultado estadual negativo, líderes da educação em Broward e Miami-Dade afirmam que os dois distritos continuam entre os melhores do país segundo os critérios educacionais da própria Flórida, ambos com classificação máxima “A”.
O superintendente das escolas públicas de Broward, Dr. Howard Hepburn, afirmou que os dados locais mostram desempenho acima da média nacional.
“Os dados das escolas públicas de Broward mostram que estamos superando mais da metade dos distritos escolares do país em leitura e matemática”, disse.
Já o membro do conselho escolar de Miami-Dade, Dr. Steve Gallon, afirmou que o relatório deve servir como alerta para melhorias no sistema educacional.
“Precisamos focar em práticas comprovadas e eficientes”, afirmou.
Em nota, o distrito escolar de Miami-Dade declarou que continua “superando consistentemente o estado e outros grandes distritos urbanos em matemática e leitura”.
Entre os fatores apontados pelo relatório para a queda no desempenho escolar estão o uso excessivo de smartphones, impactos das redes sociais, efeitos prolongados da pandemia de Covid-19, menor nível de cobrança acadêmica após o fim da política federal *No Child Left Behind* e o uso excessivo de tecnologia em sala de aula.
Questionado sobre uma possível volta ao ensino mais tradicional, com maior uso de papel e lápis em vez de computadores, Hepburn afirmou que acredita em um equilíbrio entre os dois modelos.
“Precisamos continuar inovando porque a sociedade mudou e as demandas dos alunos hoje são diferentes das de dez anos atrás”, disse.
O relatório também reforça a importância de investimentos na educação infantil, apontando que muitas habilidades avaliadas no ensino fundamental começam a ser desenvolvidas ainda nos primeiros anos escolares.
Fonte: NBC