Adolescente acusado de matar irmã postiça em cruzeiro da Carnival segue em liberdade após audiência

Justiça federal ainda avalia pedido para prender jovem de 16 anos acusado de homicídio e abuso sexual em navio de cruzeiro

Por Lara Barth

Anna Kepner, 18 anos

Um juiz federal decidiu manter temporariamente em liberdade o adolescente acusado de matar e abusar sexualmente da própria enteada durante um cruzeiro da Carnival, enquanto analisa os argumentos apresentados em audiência realizada nesta quarta-feira (27), em Miami.

Timothy Hudson, de 16 anos, responde por homicídio em primeiro grau e abuso sexual agravado pela morte de Anna Kepner, de 18 anos, encontrada morta em novembro passado a bordo do navio Carnival Horizon.

O caso ganhou jurisdição federal porque a morte teria ocorrido em águas internacionais, fora da competência de qualquer estado americano — situação rara envolvendo um menor de idade na Justiça federal dos Estados Unidos.

Hudson havia sido inicialmente acusado como menor e autorizado a permanecer sob monitoramento eletrônico na casa de um tio. Porém, após o processo ser transferido para a corte de adultos, promotores passaram a solicitar sua prisão preventiva.

Ao fim da audiência desta quarta, o juiz Edwin Torres informou que ainda não tomará uma decisão definitiva. Segundo ele, é necessário discutir com o Serviço de Delegados Federais dos EUA a possibilidade de manter o adolescente detido em uma unidade no centro da Flórida, mais próxima da família, em vez do sul do estado, onde o julgamento ocorrerá.

Enquanto isso, Hudson deixou o tribunal em liberdade.

O adolescente se declarou inocente das acusações. Seus defensores públicos federais não comentaram o caso.

De acordo com a denúncia criminal, Anna Kepner viajava com familiares, incluindo Hudson, no cruzeiro da Carnival quando seu corpo foi encontrado escondido sob uma cama na cabine compartilhada pelos dois e outro adolescente.

A autópsia apontou que a jovem morreu por asfixia mecânica — quando a respiração é interrompida por força física ou obstrução.

Durante a audiência, a promotora federal Alejandra Lopez afirmou que a gravidade das acusações demonstra que Hudson representa perigo para a sociedade. Segundo a promotoria, exames concluíram que Anna foi imobilizada, violentamente abusada sexualmente e estrangulada durante cerca de três a cinco minutos até morrer.

“Existe evidência clara e convincente de que este réu é um perigo para a comunidade”, declarou Lopez.

A promotoria também argumentou que o risco de fuga aumentou porque Hudson pode enfrentar prisão perpétua caso seja condenado como adulto. No sistema juvenil, ele seria liberado obrigatoriamente aos 21 anos.

Já a defesa afirmou que o adolescente vem cumprindo todas as condições impostas pela Justiça desde sua liberação, sem qualquer violação.

O juiz reconheceu que um adulto acusado de crimes semelhantes provavelmente permaneceria preso até o julgamento, mas destacou que ainda precisa considerar a idade do réu antes de decidir se ele representa ameaça à comunidade.

O pai da vítima, Christopher Kepner, divulgou anteriormente uma nota afirmando que a família deposita confiança no sistema de Justiça para conduzir o caso “com verdade, cuidado e integridade”.

Fonte: NBC