Mulher sem a mão direita é multada por policial acusado de vê-la usando celular ao volante na Flórida

Caso viralizou nas redes sociais após motorista mostrar ao policial que nasceu sem parte do braço direito

Por Lara Barth

Mulher sem a mão direita é multada por policial acusado de vê-la usando celular ao volante na Flórida

Uma abordagem policial inusitada na Flórida viralizou nas redes sociais após uma mulher ser parada por supostamente dirigir usando o celular na mão direita — apesar de não possuir a mão direita.

Kathleen Thomas, de 36 anos, foi abordada em fevereiro por um policial do condado de Palm Beach, na cidade de Lake Worth, depois que o agente afirmou ter visto a motorista segurando um telefone enquanto dirigia.

O problema é que Kathleen nasceu sem a parte inferior do braço direito.

As imagens da câmera corporal do policial foram divulgadas nesta semana e rapidamente explodiram nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações.

No vídeo, o policial explica o motivo da parada, e Kathleen reage mostrando o braço.

“Obviamente não”, respondeu ela, rindo, enquanto levantava o braço direito amputado abaixo do cotovelo. “Então… podemos encerrar isso por aqui?”

Mesmo após a demonstração, o policial insiste que viu um celular na mão dela e pergunta:

“Jura por Deus que você não estava com um telefone na mão?”

Kathleen então levanta novamente o braço direito e responde:

“Juro por Deus.”

Na sequência, o policial pede que ela levante a outra mão — a única que possui — para repetir o juramento.

Em entrevista à CBS News, Kathleen afirmou que a situação foi desconfortável.

“Eu levantei minha mão naturalmente. Ele não considerou aquilo suficiente para jurar a Deus, o que é irônico, porque foi Deus quem me deu assim”, disse.

Apesar da situação, o policial aplicou uma multa de US$ 116.

Antes da audiência marcada para contestar a infração, Kathleen conseguiu acesso às imagens da abordagem e publicou o vídeo no TikTok, onde ele ultrapassou 23 milhões de visualizações.

Após a repercussão, o Departamento do Xerife de Palm Beach informou que a abordagem foi baseada na “observação visual do policial no momento da ocorrência”, mas confirmou que a multa foi cancelada após revisão do caso.

Documentos judiciais mostram que o próprio policial solicitou o arquivamento da infração por “falta de evidências suficientes”.

Kathleen afirmou que não acredita que o agente tenha agido com má intenção, mas disse esperar que o episódio ajude a ampliar a conscientização sobre pessoas com diferenças físicas.

“Nasci assim. Isso nunca vai mudar. Meu braço nunca vai segurar um celular”, afirmou. “Quero que as pessoas entendam que diferenças físicas são normais. Pessoas diferentes são normais.”

Imagens: NBC