Copa do Mundo começa no Sul da Flórida com reforço de segurança contra ameaças aéreas

Autoridades ampliam medidas de proteção e apostam em tecnologia antidrones para garantir a segurança de jogos e eventos com torcedores

Por Lara Barth

Troféu Copa do Mundo de Seleções da Fifa

A Copa do Mundo de 2026 começa nesta semana no Sul da Flórida sob um dos maiores esquemas de segurança já montados para um evento esportivo nos Estados Unidos. Com sete partidas programadas para serem disputadas em Miami e milhões de visitantes esperados ao longo do torneio, as autoridades estão concentrando esforços especialmente no combate a possíveis ameaças aéreas envolvendo drones.

O Mundial contará com 104 partidas em 11 cidades ao longo de 39 dias, o que representa um enorme desafio para as forças de segurança locais, estaduais e federais.

Segundo o major Benny Solis, do Departamento do Xerife de Miami-Dade, equipes especializadas estarão mobilizadas durante todos os jogos e eventos relacionados à competição.

“Nosso trabalho é nos preparar para o pior cenário possível”, afirmou Solis.

Tecnologia antidrones será prioridade

Uma das principais preocupações das autoridades é o uso indevido de drones próximos aos estádios e áreas de concentração de torcedores.

Para enfrentar essa ameaça, agentes treinados em tecnologia antidrones atuarão em conjunto com o FBI e o Serviço Federal de Delegados Aéreos (Federal Air Marshals), responsáveis pela coordenação das operações de detecção e neutralização desses equipamentos.

Além disso, uma nova legislação aprovada este ano permite que agências estaduais e locais utilizem tecnologias de combate a drones que antes eram exclusivas de órgãos federais.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) também estabeleceu restrições temporárias de voo sobre os estádios e áreas oficiais da Copa do Mundo.

Lições após incidentes na Copa América

O planejamento de segurança foi reforçado após os problemas registrados na final da Copa América de 2024, quando torcedores sem ingresso invadiram áreas do Hard Rock Stadium, provocando atrasos, tumultos, prisões e feridos.

De acordo com Solis, o perímetro de segurança ao redor do estádio foi ampliado para impedir que pessoas sem ingressos se aproximem da arena.

“Isso não pode acontecer novamente”, afirmou.

Investimentos milionários em segurança

A preocupação com ameaças aéreas levou o estado da Flórida a aprovar, em abril, o repasse de US$ 15,5 milhões em recursos federais destinados ao programa de segurança da Copa do Mundo em Miami, incluindo ações específicas de combate a drones.

Entre as tecnologias avaliadas estão sistemas de radar capazes de detectar aeronaves não autorizadas, redes lançadas para capturar drones em voo e até drones interceptadores desenvolvidos para colidir com equipamentos invasores.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Oklahoma e empresas parceiras vêm colaborando com autoridades americanas no desenvolvimento dessas soluções.

Preparação para grandes multidões

Além dos jogos, as forças de segurança também monitoram eventos paralelos, como os espaços oficiais para torcedores, incluindo o Fan Fest, em Bayfront Park.

Segundo Ray Martinez, diretor de operações do Comitê Organizador da Copa do Mundo em Miami, a imprevisibilidade do público representa um desafio adicional.

“Não sabemos se aparecerão 10 mil ou 50 mil pessoas em determinados eventos. Precisamos estar preparados para qualquer cenário”, explicou.

Autoridades fazem alerta

De acordo com a polícia, quase 100 simulações de segurança foram realizadas para preparar as equipes para diferentes tipos de emergência.

As autoridades também alertaram que operar drones sem autorização nas proximidades dos eventos da Copa pode resultar em multas de até US$ 100 mil, apreensão permanente do equipamento e até um ano de prisão federal.

Fonte: NBC