Mulher atraída por falsa vaga de emprego acaba vítima de tráfico sexual na Flórida
Californiana afirma ter sido levada para um bordel em Lake Worth Beach após aceitar anúncio de trabalho doméstico; duas suspeitas foram presas
O que parecia ser uma oportunidade de emprego na Flórida se transformou em um pesadelo para uma mulher da Califórnia. Segundo autoridades do Condado de Palm Beach, ela foi vítima de uma rede de tráfico humano após responder a um anúncio online para uma vaga de governanta que prometia salário de US$ 35 por hora, moradia e transporte gratuitos.
De acordo com documentos da investigação, a mulher, natural de San Bernardino, aceitou a oferta publicada no site Indeed e teve sua passagem aérea paga pelos recrutadores. Ao chegar à Flórida, em 17 de fevereiro, foi levada para uma residência em Lake Worth Beach.
No local, ela conheceu três pessoas identificadas pelas autoridades como Diana Katherine Chaparro Contreras, de 33 anos, Sandra Luz Peralta Aguilar, de 50 anos, e um homem conhecido apenas pelos apelidos “Negro” ou “Moreno”.
Segundo o relato da vítima, seus documentos, incluindo passaporte e autorização de trabalho nos Estados Unidos, foram confiscados assim que ela chegou à residência. Foi então que descobriu que o trabalho prometido não era de limpeza, mas sim a prestação de serviços sexuais para clientes.
A mulher afirmou aos investigadores que era mantida sob vigilância constante e forçada a se relacionar sexualmente com vários homens por dia, chegando a atender pelo menos sete clientes em um único dia. Ela também relatou ter sofrido agressões físicas, ameaças e abusos frequentes.
De acordo com a investigação, muitos clientes se recusavam a usar proteção e alguns chegaram a agredi-la e estrangulá-la. Quando pedia ajuda ou tentava resistir, os suspeitos a ameaçavam com deportação.
Os investigadores encontraram indícios de que a casa funcionava como um cativeiro. As portas possuíam travas externas com correntes e portões de segurança, enquanto as janelas do quarto da vítima estavam cobertas por placas de madeira.
A fuga aconteceu durante a madrugada. Utilizando uma luminária, a mulher conseguiu quebrar a proteção de madeira que bloqueava uma das janelas e escapar da residência. Ela também informou às autoridades que havia outra jovem no imóvel, possivelmente com apenas 15 anos, que acreditava ser igualmente vítima da organização.
Após a denúncia, detetives iniciaram uma investigação que durou semanas. Durante a vigilância, agentes registraram um fluxo constante de homens entrando e saindo das residências monitoradas após curtos períodos de tempo.
Documentos de aluguel, registros de serviços públicos e movimentações financeiras ajudaram a ligar a operação às suspeitas. As autoridades descobriram que Chaparro movimentou cerca de US$ 116 mil desde março de 2025, incluindo aproximadamente US$ 61 mil em depósitos em dinheiro.
A investigação também apontou que o esquema teria mudado de endereço durante o monitoramento policial, passando a operar em outra residência da mesma cidade.
Dois homens abordados pela polícia após deixarem os imóveis confirmaram ter pago por programas nos locais. Segundo seus relatos, o pagamento era intermediado por uma mulher mais velha que recebia o dinheiro antes de encaminhar os clientes às prostitutas.
Na última sexta-feira, Diana Katherine Chaparro Contreras e Sandra Luz Peralta Aguilar foram presas e acusadas de tráfico humano, exploração da prostituição e manutenção de local destinado à prostituição.
As autoridades acreditam que a operação possa estar ligada a uma rede criminosa maior, já investigada anteriormente no sul da Flórida. O caso segue sob investigação, e a polícia busca identificar possíveis outras vítimas e integrantes da organização.