Flórida: por que quase não vemos para-raios no estado que lidera as mortes por raios nos EUA?

Por Lara Barth

Raio; relâmpago; tempestade; chuva

Você já reparou que, mesmo sendo um dos lugares com mais raios do planeta, a Flórida quase não tem para-raios visíveis? Afinal, por que isso acontece? E como se proteger em um estado que lidera o número de mortes por raios nos Estados Unidos?

A Flórida continua sendo referência quando o assunto é raios

Embora um levantamento de 2025 tenha colocado Oklahoma em primeiro lugar em densidade de raios naquele ano específico, a Flórida continua sendo reconhecida mundialmente como a “Lightning Capital” por registrar tempestades quase diárias durante o verão e liderar o número de mortes provocadas por raios nos Estados Unidos.

Entre 2016 e 2025, a Flórida registrou 51 mortes por raios, mais do que qualquer outro estado americano. Em média, são cerca de sete mortes por ano.

Por que existem tantos raios na Flórida?

A explicação está na geografia.

A Flórida é uma península cercada pelo Oceano Atlântico e pelo Golfo do México. Durante o verão, o intenso calor aquece rapidamente o solo. Ao mesmo tempo, ventos úmidos vindos dos dois lados do estado se encontram sobre o interior da península.

Esse encontro forma grandes nuvens de tempestade praticamente todos os dias, principalmente durante a tarde. Em algumas regiões são registrados mais de 90 dias de tempestades por ano.

Então por que quase não vemos para-raios?

Muita gente acredita que seja porque o solo da Flórida é formado por areia.

Isso não é totalmente verdade.

A areia realmente dificulta o aterramento convencional, exigindo projetos elétricos diferentes e sistemas de proteção mais robustos. Porém, ela não impede a instalação de para-raios e nem faz com que eles sejam desnecessários.

Os principais motivos são:

•a maioria das residências tem apenas um ou dois andares;
•muitos sistemas de proteção ficam escondidos sobre os telhados;
•os códigos de construção priorizam aterramento elétrico e proteção contra surtos elétricos;
•para-raios são mais comuns em prédios altos, hospitais, igrejas, escolas, torres e edifícios comerciais.

Ou seja, eles existem, mas muitas vezes passam despercebidos.

Onde ocorrem mais acidentes?

A maioria das vítimas é atingida durante atividades ao ar livre.

Os casos mais comuns envolvem pessoas em:

•praias;
•pescarias;
•campos de golfe;
•parques;
•canteiros de obras;
•embarcações;
•esportes ao ar livre.

Especialistas alertam que um raio pode atingir uma pessoa mesmo quando a tempestade parece distante, já que descargas podem ocorrer a vários quilômetros da chuva principal.

Regiões da Flórida com maior incidência

A área conhecida como Lightning Alley (“Corredor dos Raios”) fica principalmente na região central do estado, entre Tampa e Orlando.

Também há alta incidência em condados como:

•Polk;
•Orange;
•Osceola;
•Hillsborough;
•Seminole.

Em 2025, o Condado de Polk registrou mais de 1 milhão de descargas elétricas, o maior número entre os condados americanos.

Qual é o período mais perigoso?

O maior risco ocorre entre:

Maio e setembro, durante o verão.

O horário mais crítico é entre:

12h e 18h, quando se formam as tradicionais tempestades da tarde.

Julho costuma concentrar o maior número de acidentes fatais.

Como se proteger

As autoridades americanas recomendam:

•Ao ouvir um trovão, procure imediatamente um prédio fechado ou um veículo com teto metálico.
•Nunca permaneça na praia, piscina, campo de golfe ou barco.
•Evite árvores isoladas e estruturas metálicas.
•Aguarde 30 minutos após o último trovão antes de voltar às atividades externas.
•Dentro de casa, evite usar aparelhos ligados à tomada e tomar banho durante tempestades intensas.

Quase 90% das pessoas atingidas sobrevivem, mas muitas ficam com sequelas permanentes.