Brasileiro acusado de atuar sem licença desaparece antes de julgamento na Flórida
João Batista Cunha de Araújo respondia a 14 acusações, incluindo exercício ilegal da medicina, fraude e furto de alto valor.
Um brasileiro acusado de realizar procedimentos estéticos sem licença na Flórida é considerado foragido após desaparecer três dias antes da data marcada para seu julgamento em Miami-Dade.
João Batista Cunha de Araújo, de 57 anos, era monitorado por tornozeleira eletrônica enquanto respondia ao processo em liberdade. Segundo documentos judiciais, o equipamento emitiu um alerta de violação no dia 1º de agosto.
Dois agentes foram ao último endereço conhecido do acusado, em Bay Harbor Islands, ao norte de Miami Beach. Araújo não foi encontrado e a tornozeleira também não foi localizada.
A prisão domiciliar foi revogada e a Justiça expediu um novo mandado de prisão, com autorização para extradição. O julgamento estava previsto para começar três dias depois.
Araújo havia entregado o passaporte brasileiro como uma das condições para permanecer em liberdade. O New York Post informou, com base em fontes ligadas ao caso, que ele poderia ter deixado os Estados Unidos e seguido para o Brasil.
O Miami Herald também noticiou que Araújo teria admitido a uma jornalista brasileira que fugiu dos Estados Unidos. Apesar dessas informações, seu paradeiro ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades.
A investigação começou após denúncias de que Araújo estaria realizando procedimentos estéticos sem licença na Miami Beauty Academy, em Aventura.
Durante uma operação disfarçada, uma detetive se apresentou como cliente interessada em uma lipoaspiração no queixo. Segundo o mandado de prisão, Araújo teria recomendado a cirurgia, um tratamento a laser e o uso do medicamento Mounjaro.
O Departamento de Saúde da Flórida confirmou aos investigadores que Araújo não possuía licença para exercer medicina ou prestar serviços de saúde no estado.
Uma paciente relatou à polícia que recebeu 17 frascos de substância de preenchimento em uma única sessão. Segundo o depoimento, o material formou um nódulo no lábio e endureceu em partes da mandíbula e das maçãs do rosto, levando a paciente a procurar um cirurgião plástico licenciado.
Araújo responde a 14 acusações, 13 delas classificadas como crimes graves. Entre elas estão exercício ilegal da medicina, furto de alto valor, esquema organizado de fraude, uso ilegal de dispositivo de comunicação e falsa representação de licença médica.
O advogado Mark Eiglarsh afirmou que Araújo havia se declarado inocente e que a defesa estava preparada para contestar as acusações. O advogado disse desconhecer o paradeiro do cliente.
Como o julgamento não aconteceu, as acusações ainda não resultaram em condenação