Deputado da Flórida propõe lei após mulher morrer em ataque de jacaré
Projeto, batizado de "GATOR Act", prevê estudo federal sobre regras que podem dificultar a remoção de jacarés considerados uma ameaça em áreas residenciais
Um deputado americano da Flórida apresentou um novo projeto de lei após a morte de uma mulher atacada por um jacaré no centro do estado no início deste ano.
Em um comunicado divulgado no mês passado, o deputado federal Greg Steube, do Partido Republicano, apresentou a proposta, chamada de “Gathering Alligator Treatment, Oversight, and Response Act of 2026”, ou simplesmente “GATOR Act”.
Segundo o comunicado, o projeto determina a realização de um estudo federal para avaliar como uma classificação de espécie estabelecida há décadas afeta a capacidade das autoridades estaduais de manejo da vida selvagem de retirar jacarés considerados perigosos de cursos d’água particulares.
Em junho, Brittany Clark, de 31 anos, nadava com amigos no rio Econlockhatchee, na Flórida, quando foi mordida por um jacaré e sofreu ferimentos graves, segundo a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC).
Os amigos ajudaram Clark a chegar à margem e acionaram o serviço de emergência. Ela foi levada ao hospital, mas acabou morrendo em decorrência dos ferimentos.
Posteriormente, investigadores informaram que o DNA de Clark foi compatível com o de um jacaré de aproximadamente 4 metros de comprimento encontrado no local do ataque.
O que prevê o GATOR Act
Após a morte de Clark, Steube apresentou o GATOR Act à Câmara dos Representantes para análise.
“O projeto surge após a morte de uma mulher de 31 anos de Oviedo, que foi morta por um jacaré de 13 pés perto de sua casa”, afirma o comunicado.
O jacaré-americano (American alligator) não é classificado como espécie ameaçada ou em risco de extinção. No entanto, possui o status de “ameaçado devido à semelhança de aparência”, por sua semelhança com o crocodilo-americano.
A classificação tem como objetivo impedir que traficantes comercializem ilegalmente peles de crocodilos protegidos como se fossem peles de jacaré. O GATOR Act, porém, pretende investigar se essa regra acabou dificultando, de maneira não intencional, a remoção de jacarés considerados perigosos de locais onde podem representar risco para pessoas e animais domésticos.
A proposta determina que o Controlador-Geral dos Estados Unidos e outras autoridades federais avaliem o impacto dessa classificação sobre:
Os programas estaduais de manejo do jacaré-americano, do jacaré-do-pantanal (common caiman) e do jacaré-açu (brown caiman);
Se a classificação contribuiu para que a população de jacarés-americanos se recuperasse além dos níveis originalmente previstos;
Se a classificação contribuiu para que o jacaré-do-pantanal ou o jacaré-açu se tornassem espécies invasoras na Flórida;
Se a classificação tornou mais difícil retirar jacarés considerados perigosos ou espécies invasoras de cursos d’água próximos a áreas residenciais e comerciais.
Apesar disso, o projeto não altera diretamente a forma como os estados administram atualmente suas populações de jacarés.
O GATOR Act foi apresentado pela primeira vez em 17 de agosto e ainda aguarda análise do Comitê de Recursos Naturais da Câmara dos Representantes.
Fonte: Click Orlando