Vírus mortal se espalha entre gatos no sul da Flórida; veja os sinais de alerta
Panleucopenia felina pode causar doença grave e até morte súbita; veterinários reforçam importância da vacinação
Um vírus altamente contagioso e potencialmente mortal está provocando um aumento de casos de doença entre gatos no sul da Flórida durante o fim do verão.
A panleucopenia felina causa quadros intensos de doença e, em casos mais graves, pode levar à morte em pouco tempo. Segundo veterinários, o aumento nesta época do ano está relacionado à grande população de gatos de rua na região, às baixas taxas de vacinação, ao aumento sazonal do número de filhotes e ao pico tradicional de circulação do vírus no fim do verão.
O vírus é extremamente resistente no ambiente e pode sobreviver por até um ano, de acordo com a veterinária Yamilka Lago-Alvarez, diretora médica do VCA Knowles Central Animal Hospital, em Miami-Dade.
A doença pode ser transmitida entre gatos e também por pessoas que entram em contato com animais infectados e levam o vírus para outros gatos. Humanos, porém, não contraem a doença.
Embora os casos sejam mais comuns entre gatos jovens, animais adultos também podem ser infectados.
Quais são os sintomas?
Nos casos agudos, os principais sinais da doença incluem:
febre;
apatia ou depressão;
falta de apetite;
vômitos;
diarreia;
desidratação.
Há também casos chamados de superagudos, que evoluem de forma ainda mais rápida e podem provocar a morte antes mesmo do aparecimento de muitos sintomas.
O Merck Veterinary Manual alerta que a morte súbita pode ser o primeiro sinal observado principalmente em filhotes que vivem nas ruas, abrigos ou criadouros.
Veterinários destacam que um gato pode passar de aparentemente saudável para gravemente doente em pouco tempo. Por isso, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente diante de qualquer sinal de doença.
Mais de 300 casos registrados
O Miami-Dade Animal Services informou que 215 gatos sob seus cuidados testaram positivo para o vírus neste ano. No condado de Broward, foram registrados 95 casos confirmados.
Apesar dos números, veterinários afirmam que a situação ainda não é considerada um surto generalizado.
Lago-Alvarez, porém, disse ter observado um aumento recente de casos, principalmente na unidade de emergência Snapper Creek.
Segundo ela, um dos principais motivos para o reaparecimento da doença é a baixa cobertura de vacinação.
Um estudo citado pela veterinária apontou que quase 80% dos gatos hospitalizados com a doença não sobreviveram até a alta, enquanto o tempo médio de sobrevivência após a internação foi de apenas três dias.
Como o vírus chega até os gatos?
A panleucopenia é transmitida principalmente por fluidos corporais, mas também pode chegar aos gatos por objetos e superfícies contaminados.
Pessoas que tiveram contato com animais infectados podem carregar o vírus em:
roupas;
mãos;
caixas de areia;
camas;
gaiolas;
potes de comida e água;
brinquedos.
Isso significa que até gatos que vivem exclusivamente dentro de casa podem estar em risco.
Uma pessoa que alimenta gatos de rua, por exemplo, pode carregar o vírus na roupa ou nas mãos e, ao chegar em casa, transmiti-lo aos próprios animais.
Até mesmo visitantes podem levar o vírus para dentro de uma residência sem saber que tiveram contato com um animal infectado.
Vacinação é a principal proteção
Veterinários reforçam que a vacinação é a principal forma de prevenção.
A vacina contra a panleucopenia também protege contra outros dois vírus comuns entre gatos: o herpesvírus felino e o calicivírus felino.
A recomendação é iniciar a vacinação entre 6 e 8 semanas de idade e aplicar novas doses a cada três semanas até que o gato complete 16 semanas. Depois disso, as vacinas devem continuar de acordo com o protocolo recomendado pelo veterinário para manter a imunidade.
A vacina é considerada essencial e recomendada para todos os gatos, inclusive aqueles que vivem dentro de casa e não costumam ter contato com outros animais.
"Vacinação é fundamental, e a intervenção precoce também. Se o seu gato ficar doente, leve-o ao veterinário imediatamente", afirmou o veterinário Andrew Hicks, do Miami-Dade Animal Services.
Fonte: Miami Herald