Aeroporto de Miami não conta com sistema de segurança para aviões que saem da pista
EMAS pode ajudar a desacelerar aeronaves que ultrapassam ou desviam da pista; MIA, porém, atende às normas da FAA com uma área de segurança de 300 metros
O Aeroporto Internacional de Miami (MIA) não possui o Engineered Material Arresting System (EMAS), um sistema desenvolvido para ajudar a parar aeronaves que ultrapassam o final da pista, pousam antes do ponto previsto ou saem lateralmente da área de decolagem e pouso.
O sistema utiliza um material leve e especialmente desenvolvido para ser esmagado sob o peso da aeronave. Quando os pneus entram nesse material, a resistência ajuda a desacelerar rapidamente o avião.
Sistema poderia ter ajudado no acidente?
Ainda não se sabe se a instalação de um EMAS no Aeroporto de Miami teria alterado o resultado do acidente envolvendo um avião cargueiro da Amazon no domingo. A ocorrência deixou cinco pessoas mortas e outras cinco feridas.
Especialistas destacam que muitos aeroportos americanos foram construídos antes da adoção, na década de 1980, dos atuais padrões para áreas de segurança no fim das pistas. Em alguns locais, a instalação do EMAS é inviável devido à falta de espaço ou à presença de obstáculos.
No caso de Miami, porém, o aeroporto aparentemente está de acordo com as exigências federais.
Por que Miami não precisa do EMAS?
Segundo Mike O’Donnell, ex-diretor de segurança aeroportuária e investigação de acidentes da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), o MIA não é obrigado a contar com o sistema porque possui uma área de segurança de aproximadamente 300 metros (1.000 pés) além do final das pistas.
A exigência de áreas de segurança ganhou força após o acidente do voo 1420 da American Airlines, que ultrapassou a pista do aeroporto de Little Rock, no Arkansas, em 1999. Nove pessoas morreram.
EMAS já evitou centenas de mortes
Segundo a FAA, uma instalação padrão do EMAS consegue parar a maioria das aeronaves que ultrapassam a pista a uma velocidade de 70 nós, cerca de 129 km/h.
O sistema já foi instalado em mais de 120 aeroportos nos Estados Unidos e, de acordo com a FAA, ajudou a salvar pelo menos 497 vidas em acidentes envolvendo aeronaves que ultrapassaram o final das pistas.
Apesar de Miami não contar com o equipamento, a ausência do EMAS não significa que o aeroporto esteja fora dos padrões federais de segurança.
Fonte: NBC