Investigadores não encontram sinais de freios aerodinâmicos antes de acidente fatal em Miami
Avião de carga da Amazon ultrapassou o fim da pista do Aeroporto Internacional de Miami e atingiu veículos; cinco pessoas morreram.
Investigadores federais divulgaram novos detalhes nesta terça-feira (8) sobre o acidente envolvendo um avião de carga que deixou cinco pessoas mortas no Aeroporto Internacional de Miami (MIA), na Flórida.
A aeronave, um Boeing 767 operado pela companhia de carga 21 Air em um voo para a Amazon, saiu da pista durante o pouso no domingo (6). O avião atingiu uma van que estava dentro do aeroporto, atravessou uma cerca e bateu em um SUV que circulava por uma via pública.
As cinco vítimas estavam dentro da van, que pertencia à Professional Ocean Service Corp., empresa responsável pela limpeza de aeronaves. Outras duas pessoas que estavam no veículo sobreviveram. O piloto, de 55 anos, e o copiloto, de 37, também sobreviveram.
Investigação aponta novos questionamentos
A presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), Jennifer Homendy, afirmou que a terça-feira marcou o primeiro dia completo de trabalho da equipe no local do acidente.
Os investigadores recuperaram o gravador de voz da cabine e começaram a analisar os dados do voo. Embora o áudio ainda não tenha sido divulgado, informações preliminares levantaram novos questionamentos sobre os momentos finais da aeronave.
Segundo Chihoon Shin, investigador responsável pelo caso no NTSB, a velocidade registrada no último dado disponível era de 65 nós, cerca de 120 km/h.
“Não houve indicação nos dados registrados de que os freios aerodinâmicos ou os reversores de empuxo tenham sido acionados”, afirmou Shin.
Os investigadores devem entrevistar o piloto e o copiloto para tentar determinar o que contribuiu para o acidente. Controladores de tráfego aéreo também serão ouvidos para verificar se as comunicações tiveram alguma influência no ocorrido.
O NTSB ressaltou que a investigação está em estágio inicial e que nenhuma conclusão sobre a causa do acidente foi estabelecida.
Avião ultrapassou quase 400 metros o fim da pista
De acordo com o NTSB, o avião percorreu aproximadamente 396 metros além do final da pista antes de parar.
A aeronave havia realizado um voo de cerca de duas horas a partir de Porto Rico e pousava em Miami enquanto uma tempestade se aproximava da região.
Ventos fortes, superiores a 25 nós, foram registrados no domingo. Especialistas que analisaram imagens do pouso disseram que uma forte corrente de vento de cauda pode ter contribuído para que o avião avançasse muito pela pista.
Ainda não está claro por que o piloto não interrompeu o pouso e realizou uma nova aproximação.
Cinco vítimas estavam em van de empresa de limpeza
As cinco pessoas que morreram estavam na van da Professional Ocean Service Corp.
O escritório do xerife de Miami-Dade identificou as vítimas como Rolando Aleman Leon, de 55 anos; Yoel Rodriguez Naranjo, de 53; Julio C. Pineda, de 75; Carlos Acosta Fajardo, de 53; e Javierkys Reyes Quevedo, de 47.
A empresa afirmou que não comentaria o acidente por respeito às famílias, mas declarou que os funcionários eram considerados parte da família.
A Amazon informou que está colaborando com as investigações e manifestou solidariedade às vítimas e aos familiares.
Aeroporto de Miami não possui sistema para desacelerar aviões no fim da pista
Outro ponto que será analisado pelos investigadores é a ausência, no Aeroporto Internacional de Miami, de um sistema de segurança instalado no final de algumas pistas para ajudar a desacelerar aeronaves que ultrapassam o limite.
Cerca de 120 aeroportos americanos possuem áreas de material leve e deformável, projetadas para reduzir a velocidade de aviões em casos de saída da pista. Segundo a Administração Federal de Aviação (FAA), esses sistemas já ajudaram a salvar aproximadamente 500 vidas.
Miami não possui esse equipamento. Especialistas, porém, afirmam que o aeroporto aparentemente cumpre as exigências federais por contar com uma área de segurança de aproximadamente 305 metros além do fim das pistas.
Homendy afirmou que o objetivo do NTSB é evitar que acidentes semelhantes voltem a acontecer e defendeu a implementação de recomendações de segurança feitas anteriormente pela agência.
“Essas recomendações precisam ser implementadas ou estaremos aqui novamente”, afirmou.
Fonte: NBC