Mulher da Flórida se declara culpada por fraude contra fundo de vítimas de Jeffrey Epstein
Jennifer Percival recebeu US$ 750 mil após apresentar documentos alterados em um pedido de indenização; ela deverá devolver mais de US$ 776 mil
Uma mulher da Flórida se declarou culpada de falsificar documentos para receber US$ 750 mil de um fundo criado para indenizar pessoas sexualmente abusadas por Jeffrey Epstein.
Jennifer Percival, de 46 anos, apresentou a confissão em um tribunal federal de Nova York na segunda-feira (14), no mesmo dia em que foi formalmente acusada. Percival é diretora do Center for Autism and Related Disabilities da Florida Atlantic University e mora em Boca Raton.
Segundo os documentos judiciais, ela havia solicitado, em 2020, uma indenização ao fundo criado pelo espólio de Epstein, mas teve o pedido rejeitado. Em 2024, ela solicitou dinheiro de um segundo fundo, criado pelo JPMorgan Chase após o banco concordar em pagar US$ 290 milhões para encerrar processos relacionados a alegações de que deveria ter interrompido sua relação com Epstein.
Para obter o pagamento, Percival teria afirmado falsamente que havia sido aprovada pelo primeiro fundo e recebido US$ 500 mil. Ela apresentou a carta original de rejeição, mas alterou o documento para aparentar que o pedido havia sido aprovado.
Com base nas informações falsas, o fundo do JPMorgan transferiu US$ 750 mil para Percival em 2024. O FBI posteriormente iniciou uma investigação.
Quando questionada pelos agentes no fim de 2025, ela teria apresentado novas informações falsas, alegando que havia recorrido da decisão e conseguido a aprovação. De acordo com os documentos, também entregou ao então advogado e-mails alterados e falsificados, que acabaram sendo apresentados a um promotor federal.
“Sei que minhas ações foram erradas e assumo total responsabilidade”, afirmou Percival durante a audiência.
Ela levou um cheque de US$ 776.031 para a audiência, valor referente à restituição que deverá pagar. A data da sentença ainda não havia sido definida. Pelos termos do acordo firmado com os promotores, as diretrizes federais de sentença indicam uma pena de três a quatro anos de prisão, mas o juiz não é obrigado a seguir essa recomendação.
Os documentos do processo não esclarecem por que Percival alegou ter direito à indenização nem se ela foi ou não vítima de Epstein. Durante a audiência, os promotores também não fizeram essa afirmação.
Fonte: ABC